sexta-feira, 14 de maio de 2010

SOMBRAS NA ALMA





Vou me consolar com as rochas
neste império de filisteus
implorar aos espinhos chorosos
arrancados do jardim
que afaguem os cabelos meus



suplicar a noite fria
um buquê de rosas negras
que perfume e incense uma alma
sob densa melancolia



caldo de luar com gelo
sob a musica da agonia
e porções de mau me quer
como fina iguaria



pras serpentes peçonhentas
que se debatem em teus caixotes
um jasmim tingido de sangue
e novas cartas de alforria



“devolver ao teu deus ambíguo
esta alma como um incêndio
que o cure de criar !!!




 DAVI CARTES ALVES







quarta-feira, 12 de maio de 2010

"kosa marlinda"

LEVE COLOSSO


Um colosso caudaloso
seu olhar petrificado e vazio
suas envergadura de arraia mansa
a noite banhada em neon
qual lua longa de asas quietas
é um convite a vôos doridos
o crânio vazado em diademas
sombrios ou nefastos poemas?
Será um Pelagomitidae?
Outrora,
“um vestido de cores no céu”
ela rasgou-se ao vê-lo chorar.

by  DAVI CARTES ALVES



segunda-feira, 10 de maio de 2010

Clarice Lispector



“ Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros. “




“ Teu Segredo


Flores envenenadas na jarra. Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas e mais perigosas. É assim então o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu. “



“ Eu queria escrever luxuoso. Usar palavras que rebrilhaassem molhadas e fossem peregrinas. Às vezes solenes em púrpura, às vezes abismais esmeraldas, às vezes leves na mais fina seda macia.”



“ Gosto do modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão.”



“ Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo entendimento. Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Eu sou uma pergunta."



“ Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome."



“ Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada”



“ Sinto a falta dele, como se me faltasse um dente na frente:


excrucitante.”



“ (...)nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos-diamantes,
e de vibração parada.
E o Deus? Não.
Nem mesmo a angustia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito.”




“ ...faz de conta que ela nao estava chorando por dentro -
pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado;
ela saíra agora da voracidade de viver.”


“ Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.”


“ Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho. “


“ Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas. “


“ Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada. “


“ A poesia dos poetas que sofreram é doce e terna. E a dos outros, dos que de nada foram privados, é ardente, sofredora e rebelde. “


“ Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio.”


“ Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma."




"Inútil querer me classificar,eu simplesmente escapulo não deixando. Gênero não me pega mais."


“ Gosto dos venenos os mais lentos!
As bebidas as mais fortes!
Dos cafes mais amargos!
E os delirios mais loucos.
Voce pode ate me empurrar
 de um penhasco que eu vou dizer:
E daí
eu adoro voar!!!”

 “ Perder-se também é caminho.”


“ O que saberás de mim é a sombra da flecha que se fincou no alvo.”


“ A gente escreve como quem ama.”


“ Porque na pobreza de corpo e espírito eu toco na santidade, eu que quero sentir o sopro do meu além. Para ser mais do que eu, pois tão pouco sou.”


“ Quem sabe de que negras raízes se alimenta a liberdade de um homem!?”


“ Por que é que o cão é tão livre?


Porque ele é o mistério vivo que não se indaga. “


“ Oh Deus, que faço dessa felicidade ao meu redor que é eterna, eterna, eterna e que passará daqui a um instante.


Porque o corpo só nos ensina a ser mortal? ”


“ Acho que sábado é a rosa da semana.”


“ Na verdade, Angela..."O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções.”


“ Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir.”


“Sempre conservei uma aspa à esquerda e à direita de mim.”






Frases de


Clarice Lispector (1920 - 1977), escritora brasileira de origem judia nascida na Ucrânia.














































































Clarice Lispector
























sábado, 8 de maio de 2010

O FAROL



O farol
 quieto e soturno
como um gigante leve
irmão dos pássaros e das vagas
cativa os silêncios d'alma
que o diga Virginia Woolf.


bY  DAVI CARTES ALVES

garoas, gravetos & marés


Meus olhos de concupiscência
maculam tua pureza
ferem tua leveza
de fina flor de estufa

de rara borboleta
banhada em cores e luz
e sempre tão suave
como um beijo matinal

sorriso que me acabo
ao léu do teu descaso
lembrança de tortura
elegia de amargura
não vou passar além

na nuvem pura de algodão
um lírio ensangüentado
pingando lava violeta
desmancha-se no crepúsculo
no céu dos meus amores
enchendo lentamente
uma taça sinuosa de horrores
de fel e dissabores

manhã de primavera
sem flor, sem aquarela
tuas cinzas esfarelas
nos céus do meu olhar

os gravetos molhados na campina
não espantam as sabiás
como o teu desejo de tê-los
e os meus desejos
não quere-los
apesar dos meus apelos
carinhos & desvelos

terça feira
já é fim da tarde nublada
a lembrança da praia vazia
o vento penteando
pequenas moitas valentes
na areia alva e macia

o farol quieto e soturno
como um gigante leve
irmão dos pássaros e das vagas
cativa os silêncios da alma
que o diga Virginia Woolf

a saudade se materializa
no olhar mudo e distante
do albatroz que descansa
no restos de uma canoa velha

perdido na garoa forte
dentro de um caldeirão cinza, frio
um sábado que não acaba
já sei que você não vem
a dor pode ir mais além?

delicia é atravessar a nado
as nuvens e sedas
da tua coleante maré
mas a luz dos teus olhos
morria pra mim
afogo-me e salvo-me
no teu mar de desprezo

dor surda e agônica
com que me atiras
quais restos de madeira
que a praia rejeita
num manto de espuma
em novo amanhecer


by  DAVI CARTES ALVES

terça-feira, 4 de maio de 2010

Milágrimas


 

Em caso de dor ponha gelo
mude o corte de cabelo
mude como modelo
vá ao cinema dê um sorriso
ainda que amarelo,
esqueça seu cotovelo

se amargo foi já ter sido
troque já esse vestido
troque o padrão do tecido
saia do sério deixe os critérios
siga todos os sentidos
faça fazer sentido

a cada mil lágrimas sai um milagre

caso de tristeza vire a mesa
coma só a sobremesa
 coma somente a cereja
jogue para cima faça cena
cante as rimas de um poema
sofra penas viva apenas

sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura
ninguém sabe o que procura
faça uma novena reze um terço
caia fora do contexto
invente seu endereço

a cada mil lágrimas sai um milagre

mas se apesar de banal
chorar for inevitável
sinta o gosto do sal do sal do sal
sinta o gosto do sal
gota a gota, uma a uma
duas três dez cem mil lágrimas
sinta o milagre

a cada mil lágrimas sai um milagre

cante as rimas de um poema
sofra penas viva apenas
sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura
ninguém sabe o que procura
faça uma novena reze um terço
caia fora do contexto
invente seu endereço

a cada mil lágrimas sai um milagre


 (Alice Ruiz e Itamar Assumpção)

domingo, 2 de maio de 2010

Lírios & Delírios



" No osso da fala dos loucos, tem lírios "

                                           Manoel de Barros


Sorver-te num cálice de lírio, deliro em delírios

                                                Davi Cartes Alves

COTIDIANOS


Puxa quanto mal!?
Mas o que há afinal?

Estilhaços de bombardeios
estilhaços de gente
sangue que insufla
as veias do soldado
sangue que corre em pele inocente

Mãos que agarram,
armas pesadas
mãos que vão ao rosto
por não serem lembradas
pernas que correm pra liquidar
pernas cambaleantes
no temor de ficar

Preconceitos mesquinhos
facções de canalhas
ossos que sofrem
desenhados nas malhas
fome que agride e machuca
entre hodiernas Somálias

Pássaros de prata
 rabiscam os céus
destruindo famílias,
arrancando seus véus

vês na tv,
ou folheie este jornal
armas, sangue
 e lágrimas,

mas por que tanto mal?

 

By DAVI CARTES ALVES

sábado, 1 de maio de 2010

AVANÇAM TEUS EXÉRCITOS SUBLIMES



Lá vem teus exércitos de novo
derramando dos teus olhos
nevados em mel
o amor em corcéis de volúpias

velozes, vorazes,
 sagazes, atrozes
recamando de brasas famintas,
meu céu

sobrepujam-me
teus exércitos de novo
alvejando-me
com teu Sol de delicias
com tépidos feitiços
e felinas caricias

pousando tuas sedas
meneios, perfumes,
sorvo a vertigem
das tuas maviosas veredas

vem teus exércitos sublimes
em coleante poesia de rendas sutis
sonetos entremeados num belo corpete
bucólicos haicais
em melífluo corselet

Vem teus exércitos, vem!
Faz-me teu despojo de cruel diversão
novelo estapeado pela pata felina
a rolar pelo chão

flor de tiara,
teu estojo de strass
me fulminas uma e mil vezes
Zás - Trás!!!

faz-me mais um subjugado prisioneiro
do seu vasto império
de fascínio, encanto, graciosidade
e sedução

caem sobre mim teus exércitos de novo
receber teus abraços confeitos
na louçania de buganvílias perfumadas
enternecidas, lagrimadas
nas renovadas manhãs

sem dor, em ardor
quão dóceis e enamoradas
teus exércitos em flor

enlear-se na ternura
das tuas mil vozes macias
o verbo amar sussurras
dos teus poros, balbucias

e vem sobre mim
teus exércitos de novo!

Vem !!!

BY  DAVI CARTES ALVES

Foto - Fiorella Mattheis - Revista Vip