sexta-feira, 15 de outubro de 2010

amor singelo amor





Tua boca
tem sopro doce de luar
mas em minha alma
conjuga em chamas
o verbo amar

teu beijo
tem o mel da imortalidade
faz a alma sublevar
entre sensações
da tenra idade

teu corpo
és bojo macio de tulipa
a recender frescor
de magnólias apaixonadas
vestindo de luminoso paraíso,
meu taciturno mausoléu

faz-me sentir-se Hermes
altaneiro, irrequieto
a levar recados
entre a terra e o céu.

Só você tem esse dom
 de dizer em terra,
doçuras e delícias de um céu
que se usufrui
na maciez
de uns olhos fagueiros

chega com esta
 doce intimidade solar
trazendo nas suas asas de amor
a fagueira calmaria do mar

e a lembrança dos teus doces abraços
leveza que me envolve asas mansas
de pássaros apaixonados
declamando ao lusco-fusco
amores e dissabores

contemplados da triste janela
derramam num vôo brando
slides dos teus sorrisos
quais brisas de mil paraísos

seus lábios tão lírios
quão líricos
teus braços tão cisnes de amor
tua alma quão lua,
tão sua...
você
meu mar jovem de flor



by  DAVI CARTES ALVES

Mel do paraiso




Hoje minhas borboletas tagarelas
sonharam novamente contigo
e acordaram cochichando em rubor
que só mesmo dos teus beijos maviosos
flui o mel do paraíso.



by   DAVI CARTES ALVES



quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Angelical



Sorriu leve,
ao lembrar-se que mesmo sem saberem
 que estavam sendo monitorados
ela notou que os anjos
 nunca são estúpidos
quando presos no engarrafamento

e que as folhas das nogueiras
caem mais lentas e suaves
 sob o fino véu diáfano
do crepúsculo vespertino.



by  DAVI CARTES ALVES


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A beleza inspira




Tens uma presença tão sublime
como se a cada piscar de olhos
a cada beijo desses seus lindos cílios
renova-se em sua alma
doce frescor de amanhecer
generosa alvorada
de ternuras

Como um sedento colibri
embevecido
por essas paragens
maviosas e exuberantes

quis sorver
os aljôfares de mel,
orvalhados
em toda a sua haste,
em seus cálices & corolas

generosas,
evanescentes de amor
suas pétalas
incandescentes

Olha lá o nosso sol de neon
coração do azul celeste
que assim como você,
quando surge, acende n’alma
um sorriso de vida e luz

enlear-se na ternura
das tuas mil vozes macias
o verbo amar sussurras
dos teus poros, balbucias

nos teus braços
renascer em uma fonte
de generosa doçura
cárcere paradisíaco
quais flamingos alados
em ternura

Um presente
dos deuses do amor ?
A lua me sugeriu
um vestido de néon
o céu, uma tiara de estrelas
o mar, um multicolorido top
 de conchas e corais

tudo belamente embrulhado
pela aurora boreal
num afetuoso
:) volte sempre!!!

Ah! Minha canção do mar
não será pelo teu sopro
que abrem-se as acácias,
e sorriem as buganvílias?


by   DAVI CARTES ALVES


Imagem - Fiorella Mattheis
Revista Vip

 



DANÇARINA FLAMENCA




Chama cambiante,
salamandra irrequieta,
vulto-sopro sensual
a desferir laminas & volúpias
costurados em vestido,
seda carmim

bela dançarina flamenca,
sapateias na voraz ilusão de possuir-te,
sou teu emudecido espectador
 enternecido camponês madrilenho
na viril multidão estupefata,
petrificada

alma ferina, charme provocante,
meneios e requebros asfixiantes
ritmo vigoroso, estonteante
olhares fulminantes de desprezo,
hipnose
num enlear-se apaixonante

partiste meu coração ao meio
e fizestes dele
castanholas escarlates
a produzir musicalidade vigorosa,
causticante n’alma

palpitante rosa cálida
dardejando nos sentidos
tuas pétalas de fogo
qual revoada
de pássaros incendiados

tua presença embevece,
engolfa-me
 em delirius & devaneios
na maviosa sonoridade

que enfeitiça e emudece
cravos imprestáveis,
touros indomáveis,
na arena milenar
dos confins da Andaluzia.



by  DAVI CARTES ALVES







sábado, 9 de outubro de 2010

BAILARINA




 Alva flor do mais puro encanto
leveza, prazer, acalanto
fascínio, graciosidade e pra tanto
ritual de reverente espanto

és maviosa bailarina
és brisa a produzir com ternura
mosaicos e enredos pro amor
és mel no meu dissabor

esvoaçante
quão linda menina
bela imagem
confeita em rima

és flutuante bailarina
na graça
e no deslumbramento em volteios
sissones, piruetas, meneios
no tablado
de um coração prisioneiro

aplausos, assovios, mil vozes
sob suave vôo quão bela
nivea borboleta
de sapatilha amarela
tão brilhante
no balé quebra-nozes

és sopro nas cores do amor
és mel no meu dissabor
esvoaçante quão linda menina
és suave bailarina

Amar-te
é mesmo minha sina?



by   DAVI CARTES ALVES

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O BEIJO DA DOR É LONGO



Qué café?
Voce gosta da cor desta tinta?
Que tal a matiz daquela sem tampa?
Escreve mais suave, né?
Depois recolher as armas de guerra
Em que o despojo são palavras que ferem
Onde vultos dardejam segredos
Atrás de um céu em neblina
Em que a noite é criança traquina
Emoldurando nas horas uma sina
Onde o amor em altar e batina
Bebe os doces sonhos de outrora
Em um rio borbulhando lagrimas
 e véus em pudor
desaguando em coleantes suspiros
poemas longos de tímida menina
que rabisca no verso das chamas
um pássaro esquálido que ama
e se contorce sem forças, sonoro
debatendo-se em vão nesta cela
não fugiu dos transeuntes afoitos
não voou das mãos tensas com olhos
no calçadão jaz confeito em dor
pois as vezes o bonde do amor
não tem freios e alma suficientes
nas curvas sinuosas de um ventre
e pechincha a dor pra presente:
Vire-se!!!
 Nesta chuva de lãminas...


by   DAVI CARTES ALVES




domingo, 3 de outubro de 2010

Rosas d'alma



Maviosa é a tarde
aquietando-se no fim do dia,
despiu-se
para vestir-se
de suave crepúsculo,
e banhar-se na noite

na sala,
brisa beija a samambaia
no copo d’água
cai outra pétala
da rosa chorosa

a arder numa solidão
de tintas tão belas,
quanto dolorosa.



 DAVI CARTES ALVES





sábado, 2 de outubro de 2010

Mario Vargas Llosa - Premio Nobel 2010



O senhor agora está em Princeton ensinando Borges, o mestre argentino que teria sido responsável por resolver o complexo de inferioridade dos escritores latino-americanos, pelo que está escrito em Sabres & Utopias.

Sem dúvida. De alguma maneira Borges estimulou os escritores latino-americanos a serem cidadãos do mundo, a se moverem sem complexo de inferioridade por todas as avenidas da cultura, por todas as tradições e todas as épocas. Provou que um escritor do nosso continente pode dizer coisas originais sobre Shakespeare, Molière, Stevenson, Chesterton, tendo uma visão universal. Isso nos ajudou a romper o nosso cárcere provinciano.





Trecho da entrevista ao Estadão , Sabado 02 de Outubro de 2010
Tópicos: Mario Vargas Llosa, Arte & lazer, Variedades



'Sabres & Utopias' reúne textos que tratam de política,
de América Latina e, é claro, de literatura.


sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Livros e Leituras



O livro
protagonista
entre amores
dores
gerações 

Um dos maiores benefícios da leitura
é aguçar nossa sensibilidade
primeiro, de nós para com nós mesmos
depois, de nós para com o próximo
e então para com a vida, e o mundo
de modo geral

Essa sensibilidade que adquirimos
engolfa nossa alma em paz
pois substituímos
as inquietações barulhentas, por

equilíbrio & harmonia
por cantatas de riachos,
musica suave de brisa,
viagens oníricas
o prazer nas entrelinhas

virtudes

que só o hábito da leitura
pode nos proporcionar.




by   DAVI CARTES ALVES




Imagem -  Albert Anker [ Die Andacht des Grossvaters ] 1893
Créditos da imagem  http://osilenciodoslivros.blogspot.com/