terça-feira, 14 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Sempre mar
E este teu flerte com o mar
este tom mavioso de amar
este teu jeito
de trazer o sol no sorriso
nesta doce intimidade solar
tão necessária
para arejar a alma
e retirar o peso sufocante
das asas da felicidade
pois só tua alma
traz a musica do mar,
e marulhar no teu doce realejo
no frescor dos teu abraços,
balbucio, deliro,
versejo
nos teus braços
renascer em uma fonte
de generosa doçura
cárcere paradisíaco
quais flamingos alados
em ternura
nosso céu marchetado
por revoadas, albatrozes
andorinhas rasantes,
pelicanos amantes
na lembrança perene
marítimos cenários
pintados
em casquinhas de nozes
DAVI CARTES ALVES
F
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Inverno
Lá fora o inverno
restam algumas flores baldias
resistindo heróicamente ao algoz de gelo
Jazem lânguidas, lívidas e esquecidas
O sopro da morte,
borrifado atravéz da brisa crestante
faz com que desfolhadas
balbuciem o ultimo suspiro
Prematuros suicidas
Incauto namorado
A flor do ipê dourado
fulminado
com a azaléia rosiclér
Assim partiram também
o teu sorriso e o meu desejo
melados de quentão
naquela noite de inverno
na feira do pinhão
debaixo deste céu de chumbo
deslizas altaneira
neste calçadão de gelo
teu charme em relevo
emaranhado em cachecóis
me enlevam, me arrebatam
despretensiosamente,
sem apelo
linda ninfa
ficas ainda mais bela
de sobretudo caramelo
os anéis de seus cabelos me anelam
ao roubarem beijos
dos seus lábios de mel
como travessos colibris.
DAVI CARTES ALVES
Imagem - Parque Barigui - Curitiba.Pr
quarta-feira, 8 de junho de 2011
terça-feira, 7 de junho de 2011
Felina flor
Flor lânguida
rutila na tua seda maviosa
dois pingentes de orvalho neon
olhos felinos de ágata
olhos ferinos de águia
A petrificar almas seduzidas
e a balbuciar
em seus ouvidos em vão
envolventes tratados de amor
e as tuas ventanias na dor
de um partido coração
A sussurrar
nos seus ouvidos em vão
a fragrância
dos tornados & desejos
e que a noite sem a tua lua
cairá aos pedaços, chorosa
tão bela
quanto dolorosa
DAVI CARTES ALVES
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Matrinchã
Soprada como uma leve serragem, salpicada no entardecer, a finíssima garoa ia diminuindo de intensidade, cessando calmamente, parou!
Lá de cima da casa, enquanto empilhava as telhas, ele vê num só golpe, o vento esparramar as folhas da nogueira, recém varridas e amontoadas no quintal.
De súbito, ouve um barulho que espanta os pardais! Surpreso, seu olhar demora-se naquela cena que lhe rouba os sentidos, os pequenos dentes afiados, borrados de um batom vermelho, liquido, manchando a presa incauta, a debater-se angustiada.
Aquela imagem dos caninos maculados e sanguíneos fez lembrar-se que Priscila, ao tomar o cafezinho do intervalo, sempre manchava os copos descartáveis com seu batom da mesma cor.
Como era prazeroso contemplá-la soltando a tiara e jogar as faustas madeixas enviesadas, derrubando dinastias, altaneira, com aquele sorriso bicolor, os olhos grandes, límpidos e cativantes.
A cena era impactante! Matrinchã soltava um miado a cada exatos quatro segundos, mas um miado que só se ouvia nas suas incursões amorosas, tenso, arfante, esganiçado, irrequieto, como que alertando: não se aproxime! Não se aproxime!
Em vão a asinha do pequeno pardal, fremia súplice debaixo das suas luvas macias, entremeadas de laminas lépidas e recém esmeriladas.
Priscila nunca batia as metas de vendas, mas era soberana em fulminar corações ao léu, jogando-os as traças. O sorriso malicioso, quase sempre se transformava em uma gargalhada sonora para os céus, enquanto zombava dos enamorados:
" Pobres cães famintos que ladram o amor em sonhos de pedra!"
Seu corpo coleante, felinamente delgado, rosnando sob carícias, porejando o verbo amar.
Como mexia naquela flor da tiara, como vasculhava aquele estojo de strass.
Dizia-nos insinuante, enquanto mordia lânguidamente outro copinho barulhento:
" O mar torna-se volátil, quando os sonhos fremem de amor."
Certo dia apareceu triste, balbuciando uma dor incontida, trazendo nos olhos baixios, doridas nuvens que restaram,
de um céu despedaçado.
Priscila
Ela não possuía em um dos pés o dedinho miudinho, mas tinha trinta e dois dentes divinamente alinhados, ciranda efusiva que imitava com perfeição, feiticeiros diamantes de neve.
Ao voltar-se para as telhas úmidas, ele ainda notará que Matrinchã,
entre penas & verbenas, agora lambia as patinhas, dócil e inofensivo,
como um beijo matinal.
DAVI CARTES ALVES
Este conto foi produzido na Oficina de Contos, da Fundação Cultural de Curitiba, sob as balizas da professora e escritora , Assionara Souza.
Mais informações sobre as Oficinas da FCC:
http://www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br/literatura/noticias/publicacao-reune-textos-produzidos-nas-oficinas-literarias-da-fcc
sábado, 4 de junho de 2011
Oxigênio para as cores d'alma
Balé de brisas
afagos no vôo do condor
em meio a dança das arraias
um novo poema
para um grande amor
Ouço o teu sussurro
em meio as borboletas
entre elas, tu se faz fada,
musa, ninfa
e tento compor
teus lindos mosaicos
com o cinzel das letras
Sinto o teu perfume
entre as azaléias,
a maciez da tua pele,
nas pétalas sedosas, me engolfar
como em um lírico
mar de ninféias
Tu és flor graciosa,
em haste delicada,
suave, formosa
flutuas com a brisa
e teu sorriso de ternuras,
criva-lhe n'alma
vertiginosos espinhos de bálsamo,
qual nívea rosa dengosa.
DAVI CARTES ALVES
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Bailarina
Alva flor do mais puro encanto
leveza, prazer, acalanto
fascínio, graciosidade
e pra tanto
e pra tanto
ritual de reverente espanto
maviosa bailarina
és brisa a produzir com ternura
mosaicos e enredos pro amor
és mel no meu dissabor
esvoaçante
quão linda menina
bela imagem
confeita em rima
és flutuante bailarina
na graça
e no deslumbramento em volteios
sissones, piruetas, meneios
no tablado
de um coração prisioneiro
aplausos, assovios, mil vozes
sob suave vôo
quão bela
quão bela
nivea borboleta
de sapatilha amarela
tão brilhante
no balé quebra-nozes
és sopro nas cores do amor
és mel no meu dissabor
esvoaçante quão linda menina
és suave bailarina.
Que jóias a trouxeram
do mar profundo?
Arraias de cetim, as flores das estrelas
o mel do mundo?
A dançar o amor
somente o amor
em meus
submundos
maviosa bailarina
amar-te
é mesmo minha sina?
A dançar o amor
somente o amor
em meus
submundos
maviosa bailarina
amar-te
é mesmo minha sina?
F
DAVI CARTES ALVES
quinta-feira, 2 de junho de 2011
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