sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A lágrima





A lágrima
deslizava suave
em sua sagrada procissão
acarinhando a dor

de repente
perdeu-se num leve sorriso
e parou
no dente do siso 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Pojar dos lírios







Realmente
algumas lembranças
são vestígios
de lágrimas

E nos sonhos
quando choramos
as lágrimas só caem
no dia seguinte
com as pétalas feridas

num que de horas
que se ama mais
de olhar pras nuvens
enchidas de saudade
querendo aplausos
para os dramas que encenam
dos homens

esquecer
pois o amor só chega na hora certa
não é bom encontrá-lo
nem muito antes
nem muito depois

e voar batendo asas 
em vertigem
feito pássaro sem pés
que não consegue pousar
dos céus dos teus encantos

colher as pétalas
que caem das palavras
vislumbre de eternidade
no suave toque entre cílios

 "eu acho suas asas incoerentes
    com as algemas que você carrega"

do amor.






segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Pois só tua alma traz a música do mar




Que jóias a trouxeram
do mar proundo?
As flores das estrelas?
O mel do mundo?

Pedaços de cereja
teus lábios túmidos
a cantar o amor
somente o amor
em meus submundos

Pois só a tua alma
 traz a música do mar
e ao marulhar no teu doce realejo
balbucio, deliro
versejo 

seus lábios tão lírios
quão líricos
teus braços
  tão cisnes de amor
 
tua alma quão lua,
tão sua
 você
meu mar jovem 
em flor

Que terno anjo
musicou teu sorriso
pra ouvi-lo 
nas horas de calma
 
pra senti-lo
nas manhãs
de minha'alma? 





DAVI CARTES ALVES











sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

domingo, 15 de janeiro de 2012

Um pouco mais da brisa quieta




 Um pouco mais da brisa quieta
delírios do sol
mar em seresta
deixar que a dor de nossos ontems
ilumine a paz
de outros sonhos.





Paul Cézanne





" Realista que se inicia sob o signo de Daumier e de

Courbet, nem por isso deixa de cultuar Delacroix, o criador de

antíteses coloridas tão sonoras quanto as da poesia de Victor  Hugo.

 Cézanne admira a maestria plástica de Rubens, e é um

eterno fascinado pela doçura, a elegância, a poesia do

classicismo romano de Poussin. Nessas admirações, nesses

mestres divergentes, já encontramos a chave do enigma

cézanneano. "






(Fragmento adaptado de Mário Pedrosa, Modernidade lá e

cá: textos escolhidos 4. São Paulo, Edusp, 2000, p.117)
 
Fundação Carlos Chagas - Prova TRE PE, 2011
 
 
 
 
 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Crepuscular





Há no ambiente 
um murmúrio de queixume,
de desejos de amor, 
d'ais comprimidos
uma ternura esparsa de balidos,

sente-se esmorecer como um perfume
as madressilvas murcham nos silvados
  e o aroma que exalam pelo espaço,
tem delíquios de gozo e de cansaço,
nervosos, femininos, delicados,

sentem-se espasmos, agonias d'ave,
inapreensíveis, mínimas, serenas...
  tenho entre as mãos 
as tuas mãos pequenas,
  o meu olhar no teu olhar suave

as tuas mãos tão brancas d'anemia...
os teus olhos tão meigos de tristeza...
  é este enlanguescer da natureza,
este vago sofrer do fim do dia.



Camilo Pessanha















quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O que é a vida ?



" É respirar baixo pra chamar o vento "


                                                
                                               
                                            Fabrício Carpinejar - No programa Provocações

















terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sociedade do espetáculo







“Nosso tempo prefere a imagem à coisa, a cópia ao original,
a representação à realidade, a aparência ao ser. 
O cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado.”

Essas palavras do
filósofo Feurbach nos dizem algo fundamental sobre nossa época.

Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições
modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação
de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai
na fumaça da representação.

As imagens fluem desligadas de
cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma
que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida.
O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a
própria sociedade e seu instrumento de unificação. 

Como parte
da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência.
Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da
falsa consciência. O espetáculo não é um conjunto de imagens,
mas uma relação entre pessoas, mediatizadas por imagens.
A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado
exprime-se assim: quanto mais contempla, menos
vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes,
menos ele compreende a sua própria existência e o seu
próprio desejo. 

O conceito de espetáculo unifica e explica uma
grande diversidade de fenômenos aparentes, apresenta-se
como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível.
A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que
deveria agir como um sujeito real aparece no fato de que os
seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que os
apresenta a ele.

Eis por que o espectador não se sente em casa
em parte alguma, porque o espetáculo está em toda parte. Eis
por que nossos valores mais profundos têm dificuldade de
sobreviver em uma sociedade do espetáculo, porque a verdade
e a transparência, que tornam a vida realmente humana, dela
são banidas e os valores, enterrados sob o escombro das
aparências e da mentira, que nos separam, em vez de nos unir.

 
 (Adaptado de Maria Clara Luccheti Bingemer, revista
Adital)



 Da prova do TRE Alagoas 2010 - FCC