quarta-feira, 31 de julho de 2013
terça-feira, 23 de julho de 2013
sábado, 20 de julho de 2013
sábado, 13 de julho de 2013
Tirésias voltou a enxergar
Tirésias voltou a enxergar
mas vê apenas crianças
e algumas flores
ele não se contem
os olhos rasos d’água mirando os pequenos
quão surpresos todos ficaram
com dificuldade
Tirésias ainda tateia entre adultos e objetos
mas ilumina-se entre
as crianças
reencontra –se entre elas
em luz de bem querer
surpreende-se com seus folguedos
de como são tão cheias de vontades
com seus impérios de origamis
e bolinhas de sabão
numa pureza e sob uma ternura
que sobrepuja
qualquer
desilusão
Orador de um público irrequieto
Tirésias confessa a elas
que as flores
também são pássaros diferentes
de asas em pétalas
quão espantadas ficam
mas vibram, comemoram
Na pujança tocante
de um abraço pueril
Tirésias reconhece que de fato
todo pântano é navegável
a barquinhos de papel
DAVI CARTES ALVES
terça-feira, 9 de julho de 2013
quarta-feira, 3 de julho de 2013
quinta-feira, 27 de junho de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
Junho
Junho
O silencio dos pássaros
a quietude das árvores
o murmúrio dos rios
d’alma
Junho
Junho
os horizontes infinitos
as vastas brancuras
Junho
das chuvas incessantes
em que os miseráveis
rangem os dentes
ou apenas gengivas
toldos não bastam
marquises em vão
novos dias,
velhos algozes
velhos algozes
Junho
folhas úmidas na invernada
suplicam dóceis lareiras
longos desertos de cobre e amianto
marchetam os céus
longos desertos de cobre e amianto
marchetam os céus
Junho
não terá meu coração
o agasalho das tuas mãos tépidas
não usufruirá minh’alma
a luz que aquece
dos teus lindos olhos fagueiros
mais um junho
sem você
saudade
quarta-feira, 19 de junho de 2013
as janelas se abriam
as janelas se abriam sobre uma erva de sonho
confundidas entre os cursos da água
no calor dos tijolos selvagens
encharcavam no vinho
os espessos triunfos de poentes partidos
em breve a dor já não estará viva
e o último luar ceifará e sua emoção
e a dura amizade que uma mola em tensão
ligava à sua sombra
– eu era apenas sua sombra -
Tristan Tzara
Ícaro
Com que então pertenço aos céus?
Não fosse assim, por que é que os céus
Me olhariam assim com seu eterno olhar azul,
Me chamando, e à minha mente, mais alto,
Sempre mais alto, sempre mais acima,
Me chamando sempre para o máximo,
Para alturas que homem algum imagina?
Por que, estudado o equilíbrio
E o vôo planejado até a última minúcia,
Até não haver margem para o infortúnio,
Por que, até aí, deve a ânsia de subir
Ser associada à insânia?
Nada nesta terra vai me ver satisfeito;
Novidades do mundo, logo monótonas;
Algo me chama lá em cima, para cima,
Cada vez mais perto da faísca do sol.
Não fosse assim, por que é que os céus
Me olhariam assim com seu eterno olhar azul,
Me chamando, e à minha mente, mais alto,
Sempre mais alto, sempre mais acima,
Me chamando sempre para o máximo,
Para alturas que homem algum imagina?
Por que, estudado o equilíbrio
E o vôo planejado até a última minúcia,
Até não haver margem para o infortúnio,
Por que, até aí, deve a ânsia de subir
Ser associada à insânia?
Nada nesta terra vai me ver satisfeito;
Novidades do mundo, logo monótonas;
Algo me chama lá em cima, para cima,
Cada vez mais perto da faísca do sol.
trecho de Ícaro, por Yukio Mishima
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