quinta-feira, 6 de novembro de 2008

NÃO VÁ PELO CAMINHO DA ESTUPIDEZ

Não vá por aí
Onde o Ciclope tem muitos olhos
Onde a alma, outrora brisa
Se faz abrolhos

Não vá por aí
Caminho escarpado
Lírio despadaçado
O sensato dilacerado

Não vá por aí
Foge da palavra – lamina
que busca o mel escarlate
ruído que machuca
Quasímodo insensivel que late

Não vá por ...ai!!
Folha verde que cai
Beijo que trai
Flecha que erra a maçã...
Ai, ai, ai...

Não vá por aí,
Fique em paz por aqui, acalme-se
traga-me, por ternura
“ um banquinho, um violão,”

Cante comigo esse quadro
as formiguinhas ali tão tranqüilas
mordiscando a casquinha da laranja,
arrastando farelos de pão.



poesiasegirassois.blogspot.com

sábado, 1 de novembro de 2008

A IMORTALIDADE DO AMOR

Tua boca
tem sopro doce de luar
mas em minha alma
conjuga em chamas
o verbo amar

teu beijo
tem o mel da imortalidade
deixa a alma sublevar
entre sensações
da tenra idade

teu corpo
és bojo macio de tulipa
a recender magnólias
torna em luminoso paraíso,
meu taciturno mausoléu

Fez me sentir-se Hermes
altaneiro, a levar recados
entre a terra e o céu.

MACHADO DE ASSIS versus JOSE DE ALENCAR

Quem se preocupa com a solidão do espinho
Se chegou mais um reaviso
da conta atrasada do telefone?

LITERATURA fragmentos d'ouro 4

“ Com aquela palavra, uma bigorna desabou sobre o ambiente...”

“ a mulher percebeu que a safra de cajus seria generosa e demorada, conduziu a colheita por toda noite... ”

“ Aquele hálito de raspa de juazeiro...”

“ Belinha tocava piano como se apunhalasse a própria alma,num sofrer que comovia e excitava...”

" Um daqueles enamorados que sua beleza abestalhava ...

...os deixava com os olhos empossados."

" O vestido alinhavado, no corpo cheio de recursos..."

" Ela revolveu as palavras no mel das profissionais..."

Acima,
Trechos de: A Santa do Cabaré – Moacir Japiassu

“ trazer a palpitar
Com um fruto de outono
Uma alma nutriz
Da volúpia e do sono ”

Olavo Bilac

LUA NUA

Esta noite
a lua não bebeu do teu sorriso,
e resmungando, vaporosa
embriagou-se com Narciso .

LITERATURA fragmentos d'ouro 3

“ Homero, Shakespeare ... Faulkner, por exemplo, contemporâneo da minha juventude, sou herdeiro deste povo todo, legatário deste povo todo. É em cima do trabalho desses escritores que o trabalho novo chega: é em cima do ombro deles que a gente sobe...”

“ Sei lá se o que vou dizer é universal, ou se é de tão grande importância assim, mas eu teria terror de ler como vejo em certos livros de textos, ou com certas práticas escolares.

Terror de ler se fosse pra responder aquelas perguntas horrorosas que vem no fim do livro. Já pensou que tensão é você, em vez de se divertir lendo um livro, em vez de mergulhar na leitura, em vez de se entreter, em vez de se envolver com o livro de qualquer forma, ficar tenso querendo responder, depois, no fim, se aquilo se insere no contexto da pós – modernização do caralho a quatro?!

Quer dizer, um horror. As pessoas encaram o livro, como um patologista encara um cadáver. Não se pode ler assim.”

João Ubaldo Ribeiro - Escritor Baiano - Rascunho, Out. 2008

“ Entre o sono e o cansaço, o silêncio desperta, oferecendo a solidão, um nome de mulher... ”

“ Note que nos contos de Restos , não vislumbramos uma solidão estática, há resistência de parte dos envolvidos. O que também não implica em vitória, mas num debater-se constante.”

“ Quatro cenas do Brasil, não precisa de comentário. São elas: Bala, Bola, Bunda, Bíblia...”

Trechos da resenha sobre o Livro de Contos – Restos / Mário Araújo
Periódico Rascunho – Outubro . 2008

“ Vivemos num tempo muito veloz, e a literatura é uma árvore de frutos demorados. Não é fácil lidar com isso. ”
Carlos Eduardo de Magalhães – Escritor / Periódico Rascunho – Setembro 2008

“ Como voltar para casa sem pisotear no meu lindo passado? Não adianta voltar por sobre os telhado, a sombra também sobe e insiste em perguntar: você quer mesmo voltar? ” –
Vitor Ramil – Satolep / Periódico Rascunho – Setembro 2008

“ O bom haicai é aquele que , com o mínimo, consegue obter apenas o suficiente.”

Álvaro Alves de Faria , sobre o livro Oeste, de Paulo Franchetti / Rascunho . Set, 2008

“ Cada homem vem a ser a soma de suas desgraças. Se ocorre a alguém, pensar que algum dia esta desgraça termina, bem, nesse caso, a desgraça é o tempo”. Faulkner

“ Fiz o que pude, o destino que quis ” Lope de Veja

“ O escritor é testemunha, verdugo e mártir do seu tempo”

Carlos Trigueiro, parafraseando Sabato / Periódico Rascunho - Setembro 2008

“A Sra. Michel tem a elegância do ouriço: por fora crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários, e terrivelmente elegantes.”

“ Falamos de amor, de bem e de mal, de filosofia e de civilização, e nos agarramos a esses ícones respeitáveis, como o carrapato sedento e seu cão bem quentinho.”

Trechos de: A Elegância do Ouriço – Muriel Barbery / Rascunho . Set. 2008


“ Passar a mão de repente, sobre a tua mão, como se apalpa a vida, ou o fruto que pede para ser colhido...”

“ O escritor afinal de contas o que é? Senão um descarado que vem falar de coisas suas, como se elas pudessem interessar aos demais? ”

“ Frases líricas, precisas, que quando estou cinza, relembro delas e me ilumino.”

“ Exatamente como aquelas florzinhas, que chamam de onze horas, muito antes das 11, começam a se aprontar para o príncipe que de carruagem iridescente vai passar. Agora são nove e meia, por exemplo, e as suas alminhas azuis, vermelhas e amarelas, todas já se abriram em cochichos adolescentes”

“ Não confunda, sermão da montanha, com montanha de sermão”

“ Percebo que o amanhã, é uma palavra que se acende, no escuro da poesia ”

Acima, trechos do livro:
De que ri a Monalisa? - Afonso Romano de Sant’Anna

“ A crônica, é prato de pouca ou nenhuma resistência, simples molho branco. Eu reduzo a missão do folhetim a isso, atirar semanalmente aos leitores, um punhado de rosas brancas, ... sem quebrar-lhes os espinhos.”
Machado de Assis

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

TUA PELE

Suave licor de jasmim
doce caldo de luar
feitura das asas em anjos
porejando o verbo amar

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

LITERATURA fragmentos d'ouro 2

" As 3 Frases mais proferidas de toda uma vida de agruras das guerreiras mulheres nordestinas:

Xô galinha, Cala boca menino, socorro que meu marido ta me matando "

" Quem mata planta, mas só deus sabe a colheita "

" velocidade é a arte maior dos perseguidos, e foi com a presteza das lagartixas que o acampamento sumiu... "

" Um eclipse das aves de arribação espalhou a falsa noite pelo vale "

" Ó branca lua divina, a brilhar tão argentina, lá no céu a espreitar "

" A rapariga levantou-se, seu corpo nu e escorreito, recendeu magnólias, o mínimo espaço da barraca, foi tomado por agradável odor de ervas recém cortadas... "

" e mergulhou na cacimba da mais salobra amargura "

Acima,
trechos de : A Santa do Cabaré - Moacir Japiassu

" Escrever é ouvir o ruido do mundo "
Jean Marie Gustave Le Clezio

Nobel de Literatura - 2008

" O cético não vive, desconfia, não participa, espia, não faz, assiste, o irmão gemeo do cético é o cínico "

do livro: De que ri a Monalisa
Afonso Romano de Sat'Anna

" Aquilo que não nos mata, nos faz fortes. "

Nietzche

domingo, 12 de outubro de 2008

O AMOR

O amor irá resurgir n'alma
como uma exuberante e luminosa alvorada
refutando as gélidas
e sombrias madrugadas

o amor irá resurgir n'alma
com sua varanda florida
sobre um rio melífluo, dourado
com aroma
e caldo de luar

e será em fim,
seu tempo de amar

ele irá resurgir,
eu sei que irá...

sábado, 11 de outubro de 2008