
quarta-feira, 15 de junho de 2016
domingo, 12 de junho de 2016
sábado, 11 de junho de 2016
Almas Perfumadas - Carlos Drummond Andrade
Tem gente que tem cheiro de
passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado
delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde
grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga para isso.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave de sua presença soprando nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro. Tem gente como você que nem percebe como tem a alma Perfumada!
E que esse perfume é dom de
Deus.
Nós, o rio e o tempo
Fico olhando, Maria, o nosso rio,
o Madeira da nossa Juventude.
Na enchente, em constante inquietude
vencendo a cada curva um desafio.
Para depois, no decorrer do estio,
com a ribanceira em sua plenitude
toda plantada pelo braço rude
de quem espera o fruto do plantio.
Mas o tempo, Maria, nos comprova
que a cada instante o rio se renova
e nós a cada instante envelhecemos.
Por certo ele será sempre criança
e o seu poente um canto de esperança
na saudade daquilo que vivemos.
Antônio Cândido Silva
Novidades sobre Machado de Assis
Um
pequeno tesouro literário, guardado com esmero durante quatro gerações, veio a
público em 15.10.2015. Dezenas de documentos, fotos e 61
cartas do crítico e acadêmico José Veríssimo, recebidas do escritor Machado de
Assis, foram entregues pela família de Veríssimo à Academia Brasileira de
Letras (ABL).
Textos manuscritos, datados do início do
século passado, e até uma fotografia e 12 cartas inéditas do patrono da
Academia ficaram guardados por décadas em um antigo gaveteiro de madeira, que
veio passando de geração em geração e, por último, estava no apartamento da
aposentada Helena Araújo Lima Veríssimo, viúva do jornalista Jorge Luiz
Veríssimo, um dos netos de José Veríssimo.
Apesar do valor histórico e sentimental do
material, a família achou melhor entregar a guarda dos documentos à ABL, que
tem condições ideais para preservar a coleção, em que se destaca uma foto
inédita de Machado de Assis.
“O
acervo do José Veríssimo estava com o marechal [Inácio José Veríssimo, filho do
acadêmico], que era uma pessoa voltada para a literatura, apesar de ser
militar. O marechal organizou o acervo, escreveu uma biografia de José
Veríssimo e depois passou tudo para meu marido”, disse Helena.
Para
o presidente da ABL, Geraldo Holanda Cavalcanti, trata-se de um acervo precioso
e que pode incentivar outras famílias, detentoras de material histórico sobre
os acadêmicos, a também doarem o acervo à Academia. “Isto pode despertar a
atenção de outras pessoas que tenham documentos em casa e se disponham a trazer
para a Academia, que é a guardiã desse tipo de acervo, que é muito difícil de
ser guardado em casa, pois o tempo destrói e aqui temos a melhor técnica de
conservação de documentos”, disse Cavalcanti.
(Adaptado de: OLIVEIRA, Gomes. Cartas inéditas
de Machado de Assis são doadas à Academia Brasileira de Letras.
www.folharondoniense.com.br/cultura/cartas-ineditas-de-machado-de-assis-sao-doadas-a-academia-brasileira-de-letras)
arco-íris na delícia da chuva
sim, você,
poeira das estrelas
sobra de mundos que não existem mais
cinza de fornalhas e hecatombes
vislumbre de todas as forças do universo
mistura de um turbilhão de substâncias
em plasma, líquido, sólido e gasoso
sim, você,
que num pequeno sonho de flores
plantou a primavera em seu coração
e encheu meu mundo de cores
com um rosário de fé e oração
era você o tempo inteirinho
e a Terra é mais antiga que o nosso suspiro
deixe-me apenas lhe sussurrar baixinho
cicios de ócio e cio no ar que respiro
eu, um anjo que caiu como uma luva
em teu coração cheio de dedos
você, arco-íris na delícia da chuva
gotas e sons que parecem brinquedos
antonio thadeu wojciechowski
sexta-feira, 10 de junho de 2016
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Sem o teu amor
Sem o teu amor
a idade tornou-se
pesada
incolor
sem o teu amor
a vida tornou-se
um marasmo
torpor
sem o teu amor
diluíram-se
as asas dos sonhos
as asas dos sonhos
em dissabor
sem o teu amor
colibri
também perdeu
cor
o sal
o sabor
a fé o fervor
meus lábios
teu frescor
meus lábios
teu frescor
sem o teu amor
sem o teu desejo
em clamor
sem o teu desejo
em clamor
sem a tua luz
sem o teu ardor
sem o teu amor
revestiu-se de
dentes afiados,
a dor
sem o teu amor
meu sol perdeu
teu calor
sem o teu amor
meu sol perdeu
teu calor
Davi Cartes Alves
João Guimarães Rosa, em "Grande Sertão: Veredas".
"Calados. Me alembro, ah. Os sapos. Sapo tirava saco de
sua voz, vozes de osga, idosas. Eu olhava para a beira do
rego. A ramagem toda do agrião – o senhor conhece – às
horas dá de si uma luz, nessas escuridões: folha a folha, um
fosforém – agrião acende de si, feito eletricidade. E eu tinha
medo. Medo em alma."
sábado, 21 de maio de 2016
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