O Poder e a Glória de Graham Greene - Escritor inglês
Desprezo e segurança esperavam por ele no cais
Era como se um sedutor coro de anjos tivesse se retirado silenciosamente e deixado apenas vozes de crianças cantarolando uma melodia de esperança
Os besouros explodiam no lampião e se arrastavam com as asas quebradas pelo chão de pedra
Ele se tornara como um fantasma, uma porção de ar assustado
Seu rosto queimado de sol era como um mapa de uma região montanhosa com dois pequenos lagos azuis que eram os seus olhos
Ela carregava suas responsabilidades como peças de louças finas através do quintal quente
O demônio já começava a se apoderar do México
O lábio pendurado de um queixo fraco a falsa candura de olhos francos demais
disse baixinho piscando os olhos molhados
tentou juntar todo o seu rancor numa cusparada que atirou no rosto do outro
a chuva caia como estivesse cravando pregos numa tampa de caixão
a rotina da sua vida rompeu se como um dique
a felicidade está morta outra vez, antes mesmo que tivesse conseguido respirar
um poeta é a alma deste país disse o mendigo
forçando a sua memória como se fosse uma porta pesada que não quer abrir
o padre deu uma olhada para trás e viu os dedos se projetando como lesmas para fora do tênis
o medo e morte não são as piores coisas, as vezes é um erro a vida continuar
a alma do jovem herói já abandonara a sua morada e o sorriso feliz no rosto do morto dizia aqueles homens ignorantes onde eles podiam encontrar Juan agora
seriam precisos mais do que uns poucos lírios para esconder esta corrupção
toda vitalidade que restava estava acumulada no cérebro , era como um réptil esmagado numa das pontas
A tua presença Entra pelos sete buracos da minha cabeça A tua presença Pelos olhos, boca, narinas e orelhas A tua presença Paralisa meu momento em que tudo começa A tua presença Desintegra e atualiza a minha presença A tua presença Envolve meu tronco, meus braços e minhas pernas A tua presença É branca verde, vermelha azul e amarela A tua presença É negra, negra, negra Negra, negra, negra Negra, negra, negra A tua presença Transborda pelas portas e pelas janelas A tua presença Silencia os automóveis e as motocicletas A tua presença Se espalha no campo derrubando as cercas A tua presença É tudo que se come, tudo que se reza A tua presença Coagula o jorro da noite sangrenta A tua presença é a coisa mais bonita em toda a natureza A tua presença Mantém sempre teso o arco da promessa A tua presença Morena, morena, morena Morena, morena, morena Morena