domingo, 30 de abril de 2017


`` Era uma  interpretação
Com tanta intensidade e com tanta alma
que fazia uma estátua de pedra
 ir as lagrimas ``




Populus - Belchior








Populus, meu cão...
o escravo, indiferente, que trabalha
e, por presente, tem migalhas sobre o chão
Populus, meu cão

Primeiro, foi seu pai,
segundo, seu irmão;
terceiro, agora, é ele... agora é ele,
de geração, em geração, em geração

No congresso do medo internacional
ouvi o segredo do enredo final
sobre Populus, meu cão:
documento oficial, em
testamento especial,
sobre a morte, sem razão
de Populus, meu cão

Populus, Populus, Populus, meu chão
Delírios sanguíneos
espumas nos teus lábios...
tudo em vão

Tenho medo de Populus, meu cão,
roto no esgoto do porão
seu olhar de quase gente,
as fileiras dos seus dentes...
trago o rosto marcado
e eles me conhecerão, me conhecerão

Populus, Populus, Populus, meu cão





Belchior






sexta-feira, 28 de abril de 2017

Felicidade é











domingo ensolarado
cheirar café torrado
ser seu eterno namorado

de porções de amor
encher a pança
pela musa enjeitada
ser tirado para uma dança

Felicidade é:

Ouvir o dia inteiro
gargalhada de criança





DAVI CARTES ALVES












domingo, 16 de abril de 2017

She







Que jóias a trouxeram do mar profundo?
As flores nas estrelas
o mel do mundo?
pedaços de cereja teu lábios lindos
a cantar o amor, somente o amor
em meus submundos





sábado, 15 de abril de 2017

Matsuo Bashô






Resultado de imagem para matsuo basho assirio e alvim




Aquele que segundo Leminski, 
conseguia distinguir uma lágrima
 no olho do peixe







O encanto do Mandacaru pela Nuvem









Aconteceu de novo
daquele mandacaru apaixonar-se pela nuvem
enamorou-se ainda mais no fim do dia
quando ela ganhou tons e forma
de uma rosa

depois

ela foi mudando lentamente
dissolvendo-se 
em coração a desmanchar-se

o tempo mudou bruscamente
e ele resistiu resignado a tempestade


de lâminas






DAVI CARTES ALVES







sábado, 8 de abril de 2017

Dançarina Flamenca





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bela dançarina flamenca,
sapateias na voraz ilusão
de possuir-te
 emudecido espectador
enternecido camponês madrilenho
na viril multidão estupefata,
petrificada

Chama cambiante
alma ferina, charme provocante,
ritmo vigoroso, estonteante
olhares fulminantes de desprezo,
num enlear-se apaixonante

partis-te  corações ao meio
e fizestes deles
castanholas escarlates
a produzir
musicalidade vigorosa,
envolvente n’alma

palpitante rosa cálida
dardejando nos sentidos
tuas pétalas de fogo
qual revoada
de pássaros incendiados

tua presença embevece,
na maviosa sonoridade
que enfeitiça e emudece:
cravos imprestáveis,
touros indomáveis,
na arena milenar
nos confins da Andaluzia.


 


Davi Cartes Alves








Vó Nonóca é o quiá





Resultado de imagem para bolinho na chuva




ela percebeu:
tava mais pra baixo que  underline 
e alertou:
- desse jeito
vão te encontrar   jogado na  lixeira 
do  dog do Queko

mas no reveillon reagiu
 foi jogar truco e desmaiar na praia

noutro dia 
dia de ano
 vó Nonóca 
recomendou um chá de barbatana de buganvília
mas  só dá lá em Guaraqueçaba
mas vó isso é flor ou um peixe?

ela encrespou 
perguntando se eu era do FBI 
que fazia tanta pergunta

Vo Nonóca esse bolinho de chuva
tem o sabor da felicidade

e pra desatar os nós
das cordas do coração vó?

soube vó?
com dor nas costas : Sofia vergara
- essa foi fraca 


Vó Nonóca é o quiá
o quiá de bom nessa terra já queimada
ela só para os afazeres 
pra ver a debandada dos pássaros do fim do dia

o céu em caramelo claro
e os pássaros enfileirados
outros como setas 
disparadas no ocaso 
sumindo nas araucárias

vó Nonóca se irrita de novo
- não traz novelo criatura
- traz uma vódka

e o segredo da felicidade vó?
- não sei
- e se soubesse eu não falava , se vira

- mas fala mais baixo 
e come menos


Vó Nonóca é o quiá
de bom






DAVI CARTES ALVES







quinta-feira, 6 de abril de 2017

Rosa Caramela








Acendemos paixões no rastilho do próprio coração
 O que amamos é sempre a chuva, 
entre o voo da nuvem e a prisão do charco
 Afinal, somos caçadores que a si mesmo se azagaiam
 No arremesso certeiro 
vai sempre um pouco de quem dispara.



Mia Couto
No conto "Rosa Caramela"