sábado, 17 de fevereiro de 2018

A tua presença





A tua presença
Entra pelos sete buracos da minha cabeça
A tua presença
Pelos olhos, boca, narinas e orelhas
A tua presença
Paralisa meu momento em que tudo começa
A tua presença
Desintegra e atualiza a minha presença
A tua presença
Envolve meu tronco, meus braços e minhas pernas
A tua presença
É branca verde, vermelha azul e amarela
A tua presença
É negra, negra, negra
Negra, negra, negra 
Negra, negra, negra
A tua presença
Transborda pelas portas e pelas janelas
A tua presença
Silencia os automóveis e as motocicletas
A tua presença
Se espalha no campo derrubando as cercas
A tua presença
É tudo que se come, tudo que se reza
A tua presença
Coagula o jorro da noite sangrenta
A tua presença é a coisa mais bonita em toda a natureza
A tua presença
Mantém sempre teso o arco da promessa
A tua presença
Morena, morena, morena
Morena, morena, morena
Morena



Assionara Souza








segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Versos para o amor











Uma frase doce
confeita num breve sorriso
como suave palpitar
de pequena borboletas branca
sobre a buganvília carmim

derramas a suave  luz da aurora
qual flor que se  adora
esta doçura
que a tantos fascina
nesta ternura
que não pede rima

suavidade de folha que cai
beijo sonhado
que pousa e se esvai
ora bálsamo
para alma ressequida
ora riacho que canta
uma música ressentida


descansar sob revoada
destes pássaros mansos
que trespassam cativantes
no céu opala dos teus olhos

painel de sonhos e delícias
derramadas por
sublime orquídea
ou luminosa estrelícia

ouvir sua voz maviosa,
que transpassa a alma
como uma colcha sedosa

Voz tão escassa
como o cometa Haley
porém quando surge assim, musical
a sinto  adoçada
com três colherinhas de açúcar
e nada de sal


a vida não deixou de te chamar para vivê-la
hoje, lhe sopraria uma brisa doce
um afago em seu cabelo,
uma carícia em seu rosto
para gentilmente convencê-la
e para si também tê-la

tua perene beleza
tua ternura de vinho,
frescor doce, carinho
deleite suave, atemporal
cesto de encantos e
sob luz divinal


como se a cada piscar de olhos
a cada beijo desses seus lindos cílios
renova-se em sua alma
doce frescor de amanhecer
generosa alvorada
de ternuras

mas não me deixe assim outra vez
como cata-vento sem espadas
feito aquelas magnólias desprezadas
balbuciantes pedras frias
nos cantos úmidos, lúgubres, escuros
das vazias rodovias,
d’alma

Como tu seguras assim,
firmes na mão!
As rédeas do charme, do encanto
e da sedução?
Fazendo-me
 mais um subjugado prisioneiro
do seu vasto império
de fascínio, graciosidade
e sedução

cai outra pétala
da rosa chorosa
a arder numa solidão
de tintas tão belas,
quanto dolorosa.


e aquele sorriso mavioso,
brincando naqueles lábios tão belos
fica impresso no espelho d’alma,
na retina , nas nuvens, na luz das rosas
 na alvorada


sem você
vou me consolar com as rochas
neste império de filisteus
implorar aos espinhos chorosos
atirados do jardim
que afaguem os cabelos meus


Exorciza d’alma
esses ventos doridos
não deixe o céu dos meus olhos
pois pro amor tua despedida
é um suave e lento pássaro em chamas
é sopro na retina
de areia marinada


 saudades
do teu olhar
ouro doce de luar
mar manso
eterno remanso
meu deleite
na continuação de amar

sim, teu olhar
beijo doce de luar
cativas a vislumbrar o teu mel
em cálice de cílios
a debater-se submisso
na tua leveza
em fim aquietam-se
minhas fúrias, as tormentas
meus delírios


Te esquecer, eu tento
mas me sinto como um sapato
Jogado ao canto do quintal
Sem o seu par, sob a lua da madrugada
Entregue ao gélido relento

Te esquecer, eu tento
Mas me sinto como a estrela
Radiante, palpitante, toda luz
Mas que se perde no cosmos
De sua galáxia
Buraco negro adentro!



" O homem bebe o leite da vida
sugando nos vasos túmidos
das sinfonias 
 pois na dor e na saudade
" todo o abismo é navegável
a barquinhos de papel"











DAVI CARTES ALVES







quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

De sombra e sol - Flávio Venturini




  Minh'alma é sol poente
que mergulha 
no oceano do teu coração 
Sem nunca encontrá-lo 
e para sempre perdê- lo 
e para todo sempre
amá-lo

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A Contenda






Ela desfiou seu longo rosario
 de pequenos egoísmos
 numa sacola de bergamotas

Preparou com esmero um buque de serpentes
que ruidosas e irrequietas
esbanjavam orgulhosas
seu brilho labial de almeirão
e vociferavam por um raio de sol
às nuvens de ametista

Que devolviam:
Tá todo mundo gritando
Que o teu charme é um anjo profano
Lírio branco tingido de sangue

Elas lhe lançaram beijos
Como alguém que lança
Com as mãos cheias
Um punhado de pequenos pássaros vermelhos
Para a liberdade de outros céus de platina

perturbações que povoavam a sua mente cansada
Em uma novo anoitecer
desejou observar novas estrelas de navios diferentes
ou trocar todo um sábado
por uma buganvília marrom

e quando dormia o sonho suave de quem inventara o jeans
acordara assustado num pequeno barco
a esfarelar se na beleza luminosa
de um mar brincalhão

ainda pôde ver queles pássaros vermelhos bordando as nuvens com novos mosaicos para o amor
ainda pôde pensar que o coração é tambem uma estante
com alguns porta retratos imortalizados pela saudade
e outros retorcidos pela indiferença que as pequenas tiranias produzem

Mas há mais verdade no beijo desprezado
do que naqueles que  simulam perenidades
mesmo quando as rosas azuis flutuam
na musicalidade do teu sorriso
você na noite vestiu -se de lua
fez  dos amores  chocalhos  em suas mãos de carmim