sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sensibilidade




A sensibilidade se personifica
no tênue toque entre cílios
de olhos enamorados

no suave palpitar
de pequenas borboletas brancas
sobre madressilvas carmim

Em sentir o aflar n’alma
da frescura dos seus lábios
doces pétalas de rosas
nadando em mar de chamas

A sensibilidade se personifica
na maviosa afetuosidade
dos teus braços enternecidos
melífluos rios de sedas
cisnes tépidos e alados

no sublevar da asa decaída,
do travesso colibri
compondo no ocaso,
vestido de crepúsculo
desenhos coloridos em néon

a sensibilidade se personifica
no feixe de tenras tulipas
colhidas sob a garoa
na poesia
que borbota pressurosa
nas entrelinhas da vida,

vida livre, vida leve, solta
vida boa, vida a toa
de poeta

por ela,
tão apaixonado,
por tua sensibilidade
quão enamorado.



  DAVI CARTES ALVES




quarta-feira, 28 de abril de 2010

ENLUARADA



A lua cheia, borra os sapos de néon, alumia as pedras, a sonoridade dos grilos, o hino da noite, de repente entrecortado, por passos bruscos e pesados nas folhas secas, que já recebem um leve verniz de orvalho, ele chega até ela, a cabeça inclinada, implora para que entre, mas ela o repele, com um grito, um hurro ensurdecedor, que espanta os morcegos em derredor.
Do copo virado, escorre o caldo de luar...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

ZÁS -TRÁS!!!

 Ela passa veloz
sempre tão linda
soltando cores e flores
 " como se Deus existisse rápido demais"...

domingo, 25 de abril de 2010

LEITURA LABIAL


Enquanto faço
esta prazeirosa leitura
releitura
e tresleitura

me dissolvo
 se esparramo
me esfarelo

ao sorver
pelo teu corpo mavioso
as doces silabas do amor
entre pétalas & caramelos

coleante rio de sedas
seara de nirvanas
 leitura que transpassa

como dormir e sonhar
no bojo cálido e macio
de uma linda acácia


by  DAVI CARTES ALVES

sábado, 24 de abril de 2010

Inscrição na areia - Cecília Meireles



O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?
O meu amor não tem
importância nenhuma.


Cecília Meireles






F

     Saudade






Deleite-se com a Poesia de Manoel de Barros



"No osso da fala dos loucos têm lírios."


“ A tarde está verde no olho das garças.”

“ Deixei uma ave me amanhecer.”

“ E agora o que fazer com essa manhã desabrochada a pássaros? ”

“ Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas
mais que a dos mísseis.
Tenho em mim
esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância
de ser feliz por isso.
Meu quintal
É maior do que o mundo. “

“ Sou fuga para flauta de pedra doce.
A poesia me desbrava.
Com águas me alinhavo”

“Sol, quem tira a roupa da manhã e acende o mar”

" Experimentando a manhã dos galos
... poesias, a poesia é
é como a boca
dos ventos
na harpa

nuvem
a comer na árvore
vazia que
desfolha a noite
raíz entrando
em orvalhos...

floresta que oculta
quem aparece
como quem fala
desaparece na boca

cigarra que estoura o
crepúsculo
que a contém

o beijo dos rios
aberto nos campos
espalmando em álacres
os pássaros

- e é livre
como um rumo
nem desconfiado..."


“(…) E, aquele
Que não morou nunca em seus próprios abismos
Nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas
Não foi marcado. Não será exposto
Às fraquezas, ao desalento, ao amor,
ao poema.”


" Liberdade busca jeito.
Sou água que corre entre pedras.
Quem anda no trilho é trem de ferro."

" Sou livre para o silêncio das formas e das cores."

" Por viver muitos anos dentro do mato
Moda ave
O menino pegou um olhar de pássaro -
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava as coisas
Por igual
como os pássaros enxergam."


" No fim da tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do quintal :
Meus filhos, o dia já envelheceu, entrem pra dentro."


" Eu via a natureza como quem a veste.
Eu me fechava com espumas."


"Poesia é voar fora da asa."

" A voz de uma passarinho me recita."


" Há um comportamento de eternidade nos caramujos."

" Fui criado no mato e aprendi a gostar das
coisinhas do chão –
Antes que das coisas celestiais."


 

Manoel de Barros

Advogado e poeta brasileiro,
 é um dos principais autores contemporâneos do país.
O Pantanal é tema frequente de seus escritos.

Sonoros aplausos a sua sublime arte !




Deixe-me aqui um pouquinho


                                  

Deixe-me aqui
deliciando-me com este horizonte
onde Deus esta a talhar
neste pôr -do - sol  rosicler
uma tela fascinante!
Sim!
Uma obra excitante!

Deixe-me aqui
banhar-me nesta paz colorida
pincelada na aquarela do ocaso
neste chuviscar multicolor
que nos faz esquecer completamente
qualquer termo ou palavra
relacionado com,
atraso???

Deixe- me aqui
por quê falar tanto em ir embora
deleite-se comigo na harmonia
que nos proporciona
a beleza deste momento
com que nos presenteia
esta suave aurora

Deixe-me aqui
Não! Não tenho pressa em sair
pois são em momentos mágicos como esse
que embebido em gratidão a Deus
me orgulho em existir

Deixe-me aqui
Tá! Pode ser ilusão
mesmo sendo,
sinto uma caricía fagueira,
agradável, maviosa
dentro d’alma,
nos arcanos
do coração

Deixe-me aqui
meditar, refletir,
ponderar com este momento
tentar eliminar uma paixão
          que me dilacera coração adentro.        
         
  
by  DAVI CARTES ALVES

f




quarta-feira, 21 de abril de 2010

Lygia Fagundes Telles


" Estou me despedindo
do meu aquário mamãe,
estou me preparando
para o mar,
não percebe? "


trecho de: Verão no Aquário
de Lygia Fagundes Telles










trecho de: Verão no Aquário

de Lygia Fagundes Telles

MONJOLO DE LAMINAS


Aurora lavada de sangue
cachaça ruim em copo sujo, trincado
vida bandida “viver é perigoso”
pão velho sem a margarina barata
duas bananas passadas cativando as tsé-tsé
urra em vão o porco com sobrepeso
no espelho da lamina faminta
gruda nas costas a camisa em suor
resto de caliça na alma, secura
maldita ousadia de amor
tuas flores agora se transmutam
em escorpiões de navalhas polidas
antes o sorriso de diamantes de neve
agora o teu cesto do que há de ferir
a luz solar nunca havia mostrado tanto desprezo
" boca fechada feito fosse cuspir " de brabeza
soca sem piedade a virilidade
do teu salto agulha
me bate na cara com uma bola de sargo
amarrada na meia-calça cor da pele
me faz cavalo insano
cavalgando a vertigem
 em nuvens de areia
calor sufocante contorcendo
as cascas no chão das minhas veias
batida seca do teu monjolo de laminas
gotejam-me acidas as estrelas negras
deste teu céu mau - me - quer .


by  DAVI CARTES ALVES











Emily Dickinson


Uma sépala, uma pétala, um espinho
numa simples manhã de verão...
um frasco de orvalho...
Uma abelha ou duas...
um bulício nas árvores...
E eis-me Rosa!

Emily Dickinson ( 1830-1886)
Escritora  Americana

terça-feira, 20 de abril de 2010

Melancolia



" A melancolia é a tristeza que se tornou leve "

                                 Italo Calvino

" A melancolia é uma doce saudade"

                                     Jose de Alencar


" A melancolia , é garoa fria
no céu dos teus olhos "

                        Davi Cartes Alves

SEDUTORA


Não!
Não passe mais esse brilho labial
que engolfas meus instintos
nas sendas do mal
esse olhar contumaz,
felino, sensual

Não!
Não me aprisiones assim
em suas cadeias
delgadas e flexíveis
como um ensandecido animal

Não corrijas deste jeito
seus cabelos anelados
colhendo aos cachos ,
lançando-os enviesados

deixando-me esbater-se
em tuas searas de nirvanas
feito mariposa em vidro
e o coração nu,
por ti despido,

 por tuas navalhas afiadas
ferido
por tua chuva de granizo
açoitado e açoitado,
tolhido

por seus trejeitos e
meneios fagueiros
corpo & alma
envenenados

Qual é o valor deste sorriso
melífluo & feiticeiro?
Que me traz
rios de paz ,
depois das borrascas,

ou me faz vaso em chamas
em seu mar de nevascas?

Sorriso que surges n’alma
como sol depois da procela
quanto custa
tê-lo por cinco segundos,
só pra mim?

Financias
em trinta e seis vezes?
Pois pago o dobro
de qualquer parcela.


by   DAVI CARTES ALVES



sábado, 17 de abril de 2010

VAGALUME


 “ Á,  quando é tempo de vaga-lume
(...) eles vão se esparramando de acender
na grama em redor,
é uma esteira de luz de fogo verde
que tudo alastra (...)

e o capim escorria do sereno da noite,
lagrimado.”


Trecho extraido de :
Grande Sertão Veredas
João Guimarães Rosa

Qual é o valor da educação?


" Se você acha caro a educação,
o que dizer da ignorância?
É uma fortuna!!!"

pensadora americana

sexta-feira, 16 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Virginia Woolf - Frases




“ O gosto pela verdade e pela beleza, a tolerância e a honestidade intelectual, o horror ao tédio, o senso de humor, as boas maneiras, a curiosidade, o desprezo á vulgaridade, á brutalidade e á pompa, o repúdio a superstição como á afetação, a aceitação sem temor das coisas boas da vida, o desejo de se exprimir completamente, a preocupação de uma educação liberal, o desprezo do utilitarismo e do filistinismo; numa palavra,

o amor pela doçura e pela luz ”

“ Eu não serei célebre, nem grande; eu continuarei a ser uma aventureira, a mudar, a seguir o meu espírito e meus olhos, recusando ser etiquetada e estereotipada. O problema consiste em liberar-nos a nós mesmos, encontrar nossas verdadeiras dimensões, não nos deixarmos atrapalhar... Eu não quero escrever nada que não me dê prazer... Eu não devo nada a ninguém... Eu não escreverei nunca para converter ou agradar alguém...”


“ Sobre as questões de gosto, não se pode certamente discutir. Eu repito sempre que me transformaria com prazer no gato de Shakespeare, no porco de Scott e no canário de Keats, se pudessem assim partilhar da companhia desses grandes homens.”


“ Pois tem razão o filósofo ao dizer que entre a felicidade e a melancolia não medeia espessura maior que a de uma lâmina de faca ”


“ Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. ”




Acima, frases de



Virginia Woolf - Escritora Inglesa ( 1882 - 1958 )

O CONTO


" O conto
é como riscar fósforo
           mal acende, já apagou."

                            Raimundo Carrero

domingo, 11 de abril de 2010

NOS OLHOS DA ROSA DORIDA



Feridas,
as pétalas de rosas,
vermelhas coração
dissolvem-se
desmancham-se em sangue
no crepúsculo vespertino
dos céus d’alma
e o suor da dor,  produz
dois trêmulos e hesitantes aljôfares
num lindo par
de olhos castanhos


BY   DAVI CARTES ALVES

sábado, 10 de abril de 2010

A HORA DA ESTRELA - CLARICE LISPECTOR



O PAPEL DO ESCRITOR NA SOCIEDADE


Em A Hora da Estrela, Clarice Lispector, usando uma linguagem singular, com a mais fina originalidade, onde pequenas frases, reservam-nos surpresas agradavelmente “abismais” de deleite, ou “sustos” muito bem vindos para o leitor, que espanta-se no bom sentido, com uma escrita tão “artesanal”, e tão rica de recursos linguísticos, entremeados de humor, ironia, acidez, poesia e dramaticidade.

A autora, neste romance, serve a leitores famintos, uma cesta generosa de tantas virtudes de linguagem e imagens, para nos saciarmos ao máximo, nos regalarmos até lambermos os dedos.


Clarice apresenta-nos de forma, ora amorosa, terna e poética, ora de uma forma contundente, acida e visceral, mas, sobretudo comovente e com extrema humanidade, a personagem Macabéia.


Ela se compadece da sua protagonista:
“ As vezes me da vontade, de te servir sopa quente, te colocar pra dormir, te dar um beijo na testa, e quando acordares, te mostrar o esplendor da vida”.

Assim, ela apresenta-nos o retrato de um grande numero de mulheres brasileiras, através da personagem alagoana , como Clarice enfatiza  “(...) milhares são como ela(...)” .


A escritora nos faz experimentar neste romance, em díspares matizes, diversos painéis de sensibilidade, que emolduram de forma ímpar, Macabéia e seu entorno, “pintados” pela autora com extrema delicadeza e poesia, destacando, que é papel do escritor na sociedade, sensibilizar os seus leitores, quanto aquelas almas frágeis, carentes e desprezadas, restritas aos interstícios do ostracismo, da indiferença, do descaso, bem como da privação a dignidade humana, triste legado que as desigualdades sociais e a falta de oportunidades, podem fatalmente vitimar.

Ademais, em A hora da estrela, notamos o quanto a ficção literária pode de fato, ser definida como a transfiguração da realidade, ou até mesmo, uma cópia dela.


Afinal, que mulher, ou homem, quem de nós já não se sentiu como Macabéia? Na sua solidão, na sua melancolia, na sua tristeza? Na sua pequenez?


Quem de nós em algum momento de nossas vidas, já não dividiu com ela, seu olhar singelo, desprovido de ambições e de fulgores, sobre a vida e as pretensões, bastando a si próprio?

Quem de nós, como Macabéia, a rosa "esquálida" cor de canela, não se limitou a buscar refugio, em nossos próprios jardins, “entre plantas e galinhas”, ou não buscou guarida tão somente, em nossos frágeis castelos de papel ou areia?


A genial Clarice Lispector, mostrou-nos com um texto sublime, que o seu papel é sim, relevante na sociedade, direcionando os nossos olhares a enxergar que mesmo nos grotões mais escuros, lúgubres, e abandonados da alma humana, há vida pulsante, há luz, e por essas paragens íngrimes d'alma, também  jorra generoso, o chafariz da poesia.


Portanto, este romance, breve, porém denso, tem um quê de conto, mas o impacto na alma do leitor faminto, só proporcionado pelas grandes epopéias.


Parte do trabalho feito para o Curso de Letras, sobre Clarice Lispector.


By   DAVI CARTES ALVES






quinta-feira, 8 de abril de 2010

FRAGMENTOS



Experimentei a sublime sensação
de sua alma feita de flores em lava
sonhava ao abrir nas suas costas
os botões nacarados, um a um
quando duas grandes asas
de cãndido e diáfano azul claro
brotaram suavemente
de sua pele melíflua
embebida em caldo de luar
és anjo meu

O que continuará a existir sem você?
Pois quando o amor, generoso
derrama-se dos seus lábios sobre nós,
ele produz n’alma, o sublime frescor
de um novo
e orvalhado amanhecer

De onde vem essa força enigmática
Que arrebata, asfixia, fascina ?
Será dos fundos das cóvinhas de nacar
esculpida neste rostinho feiticeiro
por esse sorriso de diamantes de neve?

Sorriso?
Ou um diamante que brilha?
O céu que se anila?
Faz lembrar
a primeira estrela que cintila

Com saudades, lembrei-me
dos teus afagos
doces canções de ninar
e quase sem perceber, peguei no...
choro

Será que há mais mel
no bojo da acácia
quanto na terna mansuetude
de seus belos olhos???

Será que há mais delicadeza & sensualidade
nas curvas da tulipa escarlate
quanto na leveza sinuosa
de seu lindo talhe
coleante de prazeres???

Que tal este presente amor meu:
A lua me sugeriu
um vestido de néon
o céu, uma tiara de estrelas
o mar, um multicolorido top
de conchas e corais

Afinal quem é você?
Que com suas palavras
me faz correr com a alma de joelhos
em busca dos teus mistérios
como os guinus no Kalahari
fogem das intempéries
em busca de refúgio

em meio aos teus lábios & versos
me sinto flutuar em espiral
na cadência de milhares de arraias
dentro de um balé vertigem, divinal

linda ninfa
ficas ainda mais bela
de sobretudo caramelo
os anéis de seus cabelos me anelam
ao roubarem beijos dos seus lábios de mel
como travessos colibris.

Afinal quem é você?
que com os teus deleites
faz até mesmo
anjos & diamantes luminosos

anoitecerem?


 
By – DAVI CARTES ALVES




terça-feira, 6 de abril de 2010

NO INVERNO



No inverno
sempre dói mais
a dorida dor
no coração
que sangra de amor


by  DAVI CARTES ALVES

Não deixe pra dizer que ama quando for tarde demais


Não adianta dizer que amava
só no pé da cova rasa
escrever em vão epitáfios de amor
na grinalda de perpétuas
ou no vaso de crisântemos

onde o térmita e o tempo
dissolvem tudo
em sol, chuva
 descaso ou relento

dizer que ama
com ternura de querubim
protege a alma do tempo
e do cupim

mas desde que proferido
em palpitante vida
uma e muitas vezes
dizer que amas
escrevendo n’alma querida
o amor
por seu cinzel em chamas

certamente,
não farás na sepultura
um poroso drama


by   DAVI CARTES ALVES












sábado, 3 de abril de 2010

em meio a um ballet divinal



Em meio aos teus lábios & versos
me sinto flutuar em espiral
entre volteios de milhares de arraias
em meio a um ballet divinal

by  DAVI CARTES ALVES