terça-feira, 20 de junho de 2017

Pequenas coisas mínimas








Eu gostaria de mais um dia
e pode ser pra hoje apenas.
O eterno é de menor valia:
inexistem lágrimas pequenas.

A dor é como faca funda
na superfície da pele rasa,
aquilo que se aprofunda
um dia transborda e vaza.

Todo esse meu bem querer 
mal e mal deu pro gasto:
o que não foi não pôde ser;
o que será não deixa rastro.

A verdade foi sonho da vida
brilhando no céu da boca:
meteoro que se suicida
na luz que nunca é pouca!




antonio thadeu wojciechowski







domingo, 18 de junho de 2017

O mar é o próprio Criador






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O mar 
é Deus te dizendo com carinho
o quanto Ele é Grandioso
Soberano Provisor
Deus Todo - Poderoso
O quanto sua Grandiosidade é imensa
Sim , o mar é o próprio Criador
No  desfile de seus  exércitos colossais:
imponência e delicadeza
do crustáceo ao cachalote
cova grande de vida e força
em ciranda de fúrias
Ou apoteoses da calmaria


O mar
O  delírio de seres, cores e  som
Mas é tarde é pouca
entre os albatrozes e a maresia
o vento nas pequenas moitas na areia
o farol como um gigante leve
irmão dos pássaros e das vagas
dialogando com nossos silêncios
o mar
consolo para as nossas dores
e na beira- mar
outro abraço afetuoso do Criador
na doçura do  por do sol






 ( `` quando estabeleci meu limite para ele
e coloquei suas portas e trancas
 e até aqui virás
 e não mais adiante...`` )

Jó 38:8-11 



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DAVI CARTES ALVES









sexta-feira, 16 de junho de 2017

O que não se nomeia, não é



    O que não se lembra, não vive





mais sobre o tempo








"embora inconsumível, 
o tempo é o nosso melhor alimento; 
sem medida que o conheça, 
o tempo é contudo nosso bem de maior grandeza: 
não tem começo, não tem fim; 
o tempo está em tudo."




quarta-feira, 14 de junho de 2017






Rosa que o sol dourou,
 flor que o colibri levou,
 nuvem de poesia
que Deus bordou
Sonho que o amor...







segunda-feira, 12 de junho de 2017

Sobre o amor





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Mas essa é a natureza do amor, 
comparável à do vento:
 fluido e arrasador



ferreira gullar 







quarta-feira, 7 de junho de 2017

da última estrela














Depois de descer
 da última estrela 
ela se apresentou

Eis que oscilo
  entre musa e cortesã
e sinto
pressinto, finjo
do azul ao avelã

o desejo de poder
no sobejo do teu ser
minha sombra refletir
 







domingo, 4 de junho de 2017

por quem os lírios clamam










Do amor não quis falar Isabela
é preciso que as imagens 
assumam  o lugar da sua voz
quis mudar de assunto, sincera


o momento não era bom para ela
insistindo em lembrar
de caminhos tomados por outras vielas
coração
 pássaro de asas quebradas já sem visão
" arraia que põe ovos de ferro "


 a ausência da mãe e a dureza do pai 
outra manhã quieta de primavera
 sem flor, sem aquarela
de  lírios que clamam do abismo
para um sol que nas manhãs 
 esfarela





DAVI CARTES ALVES








sábado, 3 de junho de 2017

Vida compartilhada








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Site especial aborda importância do convívio social para o bem-estar desde a infância até a velhice



Há evidências científicas de que cultivar relacionamentos faz bem para a saúde

A sociabilidade constitui o ser humano do início ao fim de sua vida. Relacionar-se com outras pessoas é uma necessidade constante para o bem-estar psíquico e também físico. 

A solidão adoece.

 O encontro enriquece.


 A vida em grupo possibilita crescimento, aponta oportunidades, consola nos momentos difíceis. Mas nem sempre a convivência é simples.

Conviver é o desafio de encontrar harmonia nas relações, equilibrando planos compartilhados com visões de mundo diferenciadas. Nesse aprendizado diário, momentos de alegria se alternam com pequenas discussões, que às vezes abalam o relacionamento com a família, com os amigos, com o companheiro ou companheira. Apesar dos altos e baixos nas relações interpessoais, o ser humano precisa do contato com o outro para viver bem.
O indivíduo isolado não existe, mesmo quando estamos sós os outros nos acompanham internamente — diz a psicóloga Nelma Aragon, diretora do Instituto de Psicologia Social Pichon-Rivière.

A construção desses laços sociais começa desde o nascimento, quando mãe e bebê estabelecem os primeiros vínculos. Depois, cada etapa vai constituindo novas redes de relações: o ambiente escolar, as tribos da adolescência, os colegas da faculdade, o casal, os grupos de terceira idade.

— A sociabilidade nos constitui por toda a vida, é assim que se aprende a confiar em si mesmo e não temer o mundo — ensina Nelma.
A satisfação com as relações interpessoais é determinante para o bem-estar, pois permeia a vida humana em todas as suas fases.











quinta-feira, 1 de junho de 2017

Por que tanta pressa?






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A primeira palavra que me vem em mente quando penso na vida moderna é dispersão. Existe uma competição constante  pela nossa atenção entre os produtores de novas tecnologias, de comida, de roupas; há uma necessidade crescente de estarmos  "ligados" com o que está acontecendo, e já não basta rádio e televisão; tem que ser pelo Facebook, pelo Twitter, pelo Google Plus e um bando de outras redes sociais. 

Cada instante é ocupado por algo que vemos numa tela, pequena ou grande. A informação vem em torrentes incessantes.  Se esquecemos nosso celular em casa, é como se tivéssemos perdido um dedo ou outra parte do corpo. Os celulares tornaram-se  parte integral de nossa existência, um apêndice tecnológico que nos define como indivíduos.

 Tornaram-se um vício, como  verificamos assim que pousa um avião e todo mundo se precipita para ligar seu iPhone ou seu Galaxy, como se naquele voo de 45  minutos a história do mundo tivesse se transformado de forma profunda e aquele e-mail que mudará a sua vida tivesse finalmente chegado. 
Não nos permitimos mais espaço para a contemplação. 

Sei que isso está parecendo papo de velho, atravancado com os avanços tecnológicos. Mas não é nada disso; eu mesmo tenho todos os brinquedos tecnológicos que existem e os uso como todo mundo, com muito prazer. Portanto, essa reflexão é para  mim também, mesmo se digitada em meu laptop. 

Muita gente me pergunta se o tempo está mudando, passando mais rápido. Essa é uma percepção psicológica da passagem  do tempo, que nada tem a ver com a passagem física do tempo. A duração do dia muda muito lentamente, e muda no sentido  inverso, aumentando e não diminuindo, devido à fricção gravitacional das marés causadas pelas atrações entre Terra, Lua e Sol. 

O tempo está passando mais rapidamente, ou assim o percebemos, porque cada vez temos menos controle sobre ele. O  ócio é algo que consideramos quase que pecaminoso (esquecendo os pecados capitais); qualquer brecha de tempo nós enchemos 
 com uma leitura no Twitter, do Facebook, de e-mail, um videozinho no YouTube, ou um podcast qualquer. 

Uma das maiores vítimas dessa correria moderna é nossa conexão com a natureza. 
Na ânsia pela informação, pouco desviamos os olhos das telas. Olhar para o céu é algo que raramente fazemos,  especialmente nas grandes cidades. Para a maioria das pessoas a natureza é um conceito, algo que existe lá longe, nas fotos que  vemos nas revistas, ou nos vídeos do YouTube e especiais de TV. 

Para resgatarmos nosso controle sobre o tempo é necessário retornarmos à natureza, criarmos espaço para a contemplação  das formas de vida, das árvores, das flores e animais; é necessário olharmos para o céu noturno, longe das luzes da cidade. Assim  conseguiremos desacelerar, buscando outro tipo de informação que nos liga ao que temos de mais essencial: nossa relação com  os ciclos e ritmos do Cosmo.


(GLEISER, Marcelo. Folha de S. Paulo, 08 dez 2013. Adaptado.)







domingo, 21 de maio de 2017

Musa




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O sol também desejou
 o dourado da sua cor ,
 a lua, 
sentir mais de perto 
a beleza deste teu sorriso,
você
musa inspiradora do meu paraíso


amar-te é sublime
é sentir a alma agasalhar-se
entre os casulos
da brisa primaveril.

tua alma traz a musica do mar,
marulhar no teu doce realejo
no frescor dos teu abraços,
balbucio, deliro,
versejo

passar por esse mundo
e não ter o privilégio
de contemplar sua graciosidade
beleza , encanto e fascínio

é o mesmo que
usufruir um dia inteiro
de céu matizado em límpido azul
mas sem o sol, radiante e vital
que assim como você,
quando surge, acende n’alma
um sorriso de vida e luz

graça, beleza, charme
e tens consigo a magia de fascinar tudo
quanto a rodeia
contemplá-la é viver,
é o quanto basta para edenizar
uma vida

um carisma, um sorriso, uma flor
que não se sabe a razão,
diminui n’alma o peso,
renova-se a alegria,
me faz sublevar, na suavidade
de toque entre cílios

me faz peregrino embevecido,
de seus sonhos multicolor
andarilho apaixonado, errante
de suas vielas irisadas



O que continuará a existir sem você?
Pois quando o amor, generoso
derrama-se dos seus lábios sobre nós,
ele produz n’alma, o sublime frescor
de um novo
e orvalhado amanhecer

De onde vem essa força enigmática
Que arrebata, asfixia, fascina ?
Será dos fundos das covinhas de nácar
esculpida neste rostinho feiticeiro
por um sorriso de diamantes de neve?

Sorriso?
Ou um diamante que brilha?
O céu que se anila?
Faz lembrar
a primeira estrela que cintila
n’alma

Com saudades, lembrei-me
dos teus afagos
doces canções de ninar
e quase sem perceber, peguei no...
choro

Será que há mais mel
no bojo da acácia
quanto na terna mansuetude
de seus belos olhos???

Será que há mais
delicadeza & sensualidade
nas curvas da tulipa escarlate
quanto na leveza sinuosa
de seu lindo talhe
coleante de encantos?

Que tal este presente amor meu:
A lua me sugeriu
um vestido de néon
o céu, uma tiara de estrelas
o mar, um multicolorido top
de conchas e corais

Afinal quem é você?
Que com suas palavras
me faz correr com a alma de joelhos
em busca dos teus mistérios
como os guinus no Kalahari
fogem das intempéries
em busca de refúgio

em meio aos teus lábios e encantos
me sinto flutuar em espiral
na cadência de milhares de arraias
dentro de um balé divinal

linda ninfa
ficas ainda mais bela
de sobretudo caramelo
os anéis de seus cabelos me anelam
ao roubarem beijos dos seus lábios de mel
como travessos colibris.

meus cílios
quando tocam com os seus
eis beijo vertiginoso, mavioso
do amor o apogeu,
sina de Orfeu?

Em seus lábios onde o amor viceja
coração ferido de morte, verseja
lábios de mar sedento, esses seus
saciando a sede dos meus



nos teus braços
renascer em uma fonte
de generosa doçura
cárcere paradisíaco
quais flamingos alados
em ternura


Ah! Sua presença!
Quão maviosa!
Chegar assim
nesta doce intimidade solar
trazendo nas suas asas de amor
a fagueira calmaria do mar

como derramas n’alma
sob densas matizes
sua generosa cesta de cores.
És tão leve, tão luz, quão linda!
a pousar e repousar teus afetos
sobre os meus mais tênues sensores

faz-se toque entre cílios
feixe de gérberas
caldo de luar
reinventa num sopro melífluo
novas nuances para o verbo amar

faz-se beijo de brisa
cantinela de riachos
langoroso esvair-se da onda na areia
num que de ofertar


Em meio aos teus lábios & versos
me sinto flutuar em espiral
na cadência de milhares de arraias
dentro de um balé vertiginoso,
divinal

Em você
como nas mais raras e belas flores
só devem pousar borboletas
com multicoloridas asas de seda
e delicadas anteninhas de ouro

chego como pedra fria
mas no leito dos teus braços e abraços
acordo dunas
areia clara, macia

São as luzes das rosas
que iluminam tua alma?
Tormentas raivosas recuam
ao teu pedido de calma

Tu me fez ver na queda
suave passo de dança
fez da tola ambição
e da nociva prepotência
 pura ternura de criança

Versos bordados em rendas
estrelas nuas em couro
beijam-se ás brisas, em fendas
gotejam lágrimas d’ouro

tuas lindas imagens
minhas sendas
derramadas
da cantilena de um monjolo

disseca num fino vaso
buquê de pálidos aforismos
noutro
minhas ninféias roxas
tem um choro balbuciante
no fel dissonante das horas

gravetos úmidos na invernada
suplicando dóceis lareiras
quando fende-se a ferida profunda
no encontro dos lagos quietos

meus belos sonhos diletos
não fossem díspares
os nossos
posto que o mel da tua alma
não quer secar dos meus ossos.

porque talvez  o amor
 seja feito mesmo
dessa luz que flui dos teus olhos
e brilha soberana
sobre todas as formas
 de escuridão





DAVI CARTES ALVES










sábado, 6 de maio de 2017

o azul que ardia em fúria











Ontem,
num céu de roubado anil
através de alado mosaico
eu senti que a noite caiu
em forma de arabesco bordado

com curvas, tramas, traços
revelando imenso desejo
de minh'alma que agoniza
por mais um enlace com a tua


era espelho bipartido
de avesso colorido
como num cordel a figurar

mágico relevo da tez
amuleto que protege rei
universo teu
misturado ao meu nácar

lira que assobia em luxúria
o azul que ardia em fúria
em romaria à pele flambar

calor que arrefece e incendeia
fogueira d'água – lua cheia
o doce que tinha a poesia
na boca tua que ardia

estrela pulsando a noroeste
jagunço com magnólia na veste
em sua lapela a transpassar

teu grito contido, resvala
eu posso escutar tua fala
na caixa de um silêncio inconteste




 do blog:

sobomarazuldeadria.blogspot.com