quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Arlequim Despedaçado

Oh minha doce colombina!
Por quê você insiste em fazer tudo acabar
Se o coração, seu alvo fixo
não suporta esse seu preciso,
de encantos incivos, dardejar

se ontem me embebi em sonhos doces,
multicoloridos
no travesseiro fagueiro da maciez
do seu colo

hoje acordei ainda extasiado,
mas adentrei num pesadelo
ao ouvir você dizer-me com olhos taciturnos,
enviesados para o chão:
“ Quero fazer carreira solo ”

e quanto aos nossos sonhos irisados?
os “ projetos encantados
por nós dois armazenados,
acaso já foram arquivados” ?

então foi tudo um sonho enquanto durou:
sem trapaças, sem fagulhas, sem decepções
mas o amor tem dessas coisas,
surpreender incautos e desprecavidos,
corações.




davicartes@gmail.com

Esperança

Esperança esta impressa em olhar de criança
que nunca se cansa de brincar e sorrir
confirmando a máxima:
que enquanto seu riso pueril se ouvir
hávera sempre a esperança de a paz resurgir

O tempo e o imprevisto no seu dom de surpreender
Sempre criam obstáculos na rotina do ser
mas a vida nos ensinou,
em lição paternal de criança,
que pra cada obstáculo,
haverá sempre uma esperança.

Esperança,
esta nas lágrimas que orvalham
a face vincada, sofrida
pois a vitória surgiu,
em meio as lágrimas da vida


e outrora um sonho,
agora real
a esperança esculpiu
mais um ideal.




davicartes@gmail.com

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

DANÇARINA FLAMENCA

Chama cambiante,
Salamandra irrequieta,
Vultos sensuais, volúpias
Costurados em vestido,
seda carmesim

Alma ferina, charme provocante,
Meneios e requebros dardejantes,
Ritmo vigoroso, frenesi estonteante
olhares fulminantes de desprezo, hipnose
enleios apaixonantes

chama cambiante,
sapateias na cálida ilusão de possuir-te,
sou teu emudecido espectador madrilenho
enternecido, na viril multidão estupefacta,
petrificada

Partiste meu coração ao meio
e fizestes dele
castanholas escarlates
a produzir musicalidade vigorosa
causticante n’alma

chama cambiante,
rosa vermelha, pétalas de fogo
teu perfume embevece,
enfeitiças cravos imprestáveis,
touros indomáveis,
da arena milenar
nos confins da Andaluzia




davicartes@gmail.co

Ela não me faz tanta falta assim, no entanto...

no entanto, muitas vezes me pego pensando
que os vaga-lumes salpicados em abundância
nos campos vazios , nas noites de verão
eles sim reclamariam um apagão
se observassem pelo menos por um instante
a luminosidade ímpar da esmeralda liquida
que enche as pupilas mimosas
dos seus olhos fagueiros

sou enfático em afirmar, ela não me faz tanta falta assim
no entanto, há momentos em que, absorto numa reflexão
imagino que o bicho-da-seda
interromperia sisudo, ranzinza, seu novo brocado
se sentisse num breve toque
a qualidade da seda maviosa que reveste a morenice suave
de seu corpo, gentilmente sinuoso
delicadamente coleante,

continuo insistindo, ela não me faz tanta falta assim
só que há dias, em que,
ao abrir o seu leque de inúmeros predicados, reconheço:
que o jovem colibri, no zênite de seu vôo,
ao talhar os campos azuis
cairia fulminado, lívido, esquálido
talvez ainda tépido,
se sorvesse nas flores d’alma
o prisma de sensações singulares que é refletido
em todo o meu ser
ao você compor, mais um daqueles sorrisos,
qual banho de quimera n'alma, doce e cativante

e que os bastos frocados de neve,
só cairiam na madrugada
para esconder-se ruborizados
na lousa negra e fria da noite,
ao observarem por um breve momento
as contas que enfileiram, como que um alvo colar de perolas
também doados generosamente,
por esse seu sorriso melífluo,
que me é vital

persisto em dizer,
ela não me faz tanta falta assim
no entanto, admito
que Saturno ficaria com inveja
descarregando com austeridade um: “ Os meus duram mais!! “
ao perceber estupefato, a perfeição e encanto
dos anéis de um brilho negro azeviche, nunca vistos
de seus cabelos, que me embaraçam de paixão

decididamente cheguei a conclusão:
ela não me faz tanta falta assim, entretanto
aqui ruminando um pensamento:
não discordaria que:
o Etna, no ápice de sua cólera, se calaria
o El Ninho,
com seus tentáculos gigantescos e irrequietos de medusa
no apogeu de sua ira, se deteria
que as asas vorazes da borrasca,
sulcantes no seio do pacífico se quebrariam
que as serpentes monstruosas e reluzentes,
dardejadas das entranhas da procela,
se converteriam em ingênuos coriscos,
Katrina, como ingênua menininha, em pânico
com medo do véio do saco,
sumiria

e que finalmente , as Cataratas do Iguaçu
promoveriam 2 minutos de silêncio
se todos juntos, sim todos!
Assistissem de camarote, na última sessão,
Boquiabertos, emudecidos, com suas pipocas intocáveis,
se todos presenciassem
as tempestades turbulentas, colossais e sem detença
que ocorrem, nos recônditos d’alma,
e no âmago do coração,


Por não ter mais você.
Razão de viver.





davicartes@gmail.com

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

PROFECIA

Um pranto incessante sobre a dispensa vazia
Um alimento humilde, que outrora,
tão bem os alimentava, os revigorava, supria
Um beijo mui terno,
Na face canela, mui tenra, macia
É consolo que não mais sacia

Um aviso dado,
afetuoso, paternal
mesclado em temor e amor
porém antiquado, ultrapassado

mil beijos, miríades de abraços,
um ato,
feto que surge no ventre juvenil
aviso ignorado, seara de lágrimas
ele ticou mais uma,
sorriu irônico, partiu

um cônjuge humilde que apreciativo ouvia
uma união amalgamada, recanto de paz e alegria
uma família amável, porto seguro na Rocha,
refugio no turbulento dia
um guia divino, que tão bem os orientava,
os protegia, instruía

um profeta, uma profecia
um por quê sobre a vida
um por quê sobre a morte
uma resposta obtida,
em mais uma profecia cumprida!





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domingo, 26 de agosto de 2007

Andarilho Errante

Sob maga suavidade,
Irradias, efluvios melifluos
de graça, beleza, charme
e tens consigo a magia de fascinar tudo
quanto a rodeia

contemplá-la é viver,
é o quanto basta para edenizar
uma vida

um carisma, um sorriso, uma flor
que não se sabe a razão,
diminui n’alma o peso,
renova-se a legria,
me faz sublevar, na suavidade
de toque entre cílios

me faz peregrino embevecido,
de seus sonhos multicolor
andarilho apaixonado, errante
de suas vielas irísadas.




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Lua D'alma



Meditar em você ,
é deslizar em asas de anjos
por seus olhos negros, sedutores
seu jeito, meigo-adocicado de ser,
quais afagos de lua nua,
me prendem me envolvem
Me acorrentam sem querer

Ficar longe de você,
é algo dificíl de aceitar, compreender
pois ao sequestrar meu pensamento
não se consegue nehum resgate,
para que deste perpétuo cativeiro
eu possoa fugir, me soltar,
me desprender


E no espelho dos meus olhos,
e das janelas abertas do coração,
você insiste em fazer morada,
qual lua nua, lua d'alma
persiste em maviosamente,
renascer.





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Amor Amar, Sorrir Chorar




Que sentimento íncrivel é o amor
Sinta quanto sabor
Que usufruimos nesta arte de amar

Arte que não requer talento
Nem diploma, nem vocação
Ora requer sorrisos, ora lágrimas
Ora simplesmente, o coração

De repente ele aparece!
Sem licença, sem pois não?
Vem convicto, vem pra ficar
Pobre frágil coração

a gente vibra, se emociona, grita!!!
Mas também sente a chama da dor
Pois as regras ele dita:
Sinta quanto sabor

O amor liberta, escraviza
Não tem idade, não tem piedade
Desmorana-se na ilusão,
Tem raízes fundas na realidade

Que sentimento incrível é o amor
Que doma o agressivo, faz surpreender o passivo
Altera destinos, faz tudo acabar!!!
Que sentimento é este?

Que faz a gente voar, voar
sublevar, levitar
e muitas vezes,
se esquecer de voltar

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Menina Mulher, Menina Brasil ... Filhas de Jose de Alencar



Menina mulher, menina mimada, menina Brasil
Tu és sereia do seu majestoso mar
Tu só pode ser irmã de Iracema, de Isabel
Com pinceladas de uma Diva, pitadas de Aurélia
E com esses trejeitos expansivos de Berta, ( pobre Jão Fera)
Filhas de Jose de Alencar

Menina mulher, menina travessa
Por quê faz comigo o que bem quer?
Como não ser seu Peri,
minha doce e marota Ceci?
Um sorriso de diamantes de neve, me chama
Ascende n’alma uma chama

Será mais uma de suas armadilhas?
Não sei, mas ao dormir em seus braços,
Puro, cândido , conchegante travesseiro de jasmins
Não sou Alice,
Mas estou no País das Maravilhas

Em seu mundo Mágico de Oz,
Eu também quero um novo coração,
Mas tem que ser de aço,
Pois o meu ficou em pedaços
Depois de seus ternos abraços

Menina mulher, menina traquina
Talhe sinuoso, leve,
num rostinho rosicler
Tu és Flor graciosa, em haste delicada, Linda, formosa
És hortência, gardênia, acácia, camélia, Amélia, Luciola
Seu olhar de ternura, criva-lhe n’alma
Vertiginosos espinhos de bálsamo
Qual nívea Rosa, mimosa

Menina mulher, menina moleca
Tirou do cabelo , tiaras, flores e fitas
E se encheu de penduricalhos eletrônicos
Mp5, bluetoof, câmara digital, celular
Hai!! Pode???? Gente???

Menina Brasil, Menina mulher,
Sou o ícaro dos seus sonhos
Sou seu soldadinho de chumbo, graciosa bailarina
Sou seu gênio sem lâmpada, você tem mil pedidos
Peça o dia, a hora,
Peça quando quiser

Com esse olharzinho triste, sorumbático, taciturno
Sou capar de roubar pra você
Não só os anéis,
Mas as pulseiras, o colar, as maria-chiquinhas,
o piercing ( ranco-lhe da língua )
roubaria todas as jóias, bijouterias
e penduricalhos de Saturno

menina moleca, menina travessa
como seguras assim, firme na mão!
as rédeas do charme, do encanto
e da sedução

menina chorona, frágil, florzinha de estufa
jeitinho dengoso, jeitinho carente
sou seu pagem ciumento, o mais atencioso
minha encantadora Cecília,
belíssima princesinha fidalga

e mesmo em seus sonhos mais profundos
estou atento ao seu mais inaudível sussurro pueril
e me coloco prontamente em ação
solícito, prestativo, Peristimoso
quando você pousa em mim pouco a pouco
plácidamente, suas ternas pupilas
matizadas, esmaltadas e contornadas
no azul mais anil

menina moleca, menina travessa
este sorriso feiticeiro, teima em brincar comigo
nos seus lábios travessos,
e me deixa nas alturas, e me lanças ao chão
1, 2, 3 , é nocaute !!! Acabou!
Ela me põe aos avessos!

Menina mulher, menina Brasil,
Tu és sereia, do seu majestoso mar
Tu só pode ser irmã de Iracema,
Cecília, Berta, Aurélia, Maria Lucia...
Filhas do meu sogro querido,
Jose de Alencar.


A Solidão E O Egoísmo ( Frase )

Vocês viram?
A solidão poupou ao menos, aqueles egoístas
Já os egoístas,
Não poupam ninguém

INDIFERENÇA


Lhe dei meu coração,
e assim como aqueles
artistas de rua,
que apanham uma bexiga disforme
e a transformam num delicado cachorrinho

Você o segurou
Cevou-o, uma e muitas vezes, oprimiu-o
Fez com ele miríades de fìrulas
Para me devolver:
Um “ dejetinho” do mimoso animal???
Oras bolas...

Mas eu não joguei pedras na cruz!!!
Acho que lancei, foi é
Mísseis tomahawk!!!...

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

O Poço, O Vazio


Poço sem água, sem vida, sem fundo
Nos fundos de uma charneca abandonada
Onde a solidão se personifica,
Lúgubre, sorumbática

Ou veste máscaras com musgos,
e faz caretas para as crianças,
que retornam da escola.
Como descrever esse vazio?

Talvez, como o vazio que sinto n’alma
Nas câmaras recônditas do meu ser
Quando fico apenas um dia,
pressuroso, angustiado
sem poder sequer,
lhe ver.



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Ventania




Aaahhh!!!
Quem me deras fosse o vento
que ao brincar com seu cabelo
que ao soprar seu lindo corpo,
e só pra si tê-lo,
não resiste ao seu apelo

E a envolve,
no frescor dos “seus braços”
Com carinhos
Com cuidados
Com desvelo.




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Encanto Fugaz


Como queria ter em meus braços
esta linda mulher que passa
que ao me olha faz uma graça
num toque me enlaça
em seu mundo que me estilhça

Deleite é banhar-se no sorriso
desta bela mulher que passa
ela me faz tomar da sua taça
uma poção que me transpassa
E me faz criança mimada
faz muxoxo, faz pirraça
E me deixa atordoado,
resignado em banco de praça

Quão prazeroso é enlevar-se
com os encantos e feitiços
desta linda mulher que passa
flor caminheira, tulipa altaneira

Musa cosmopolita
azaléia graciosa,
seu olhar de ternura, criva-lhe n’alma
espinhos de bálsamo
qual nivea rosa mimosa

Enfim
eu os liríos daquela praça
inebriados e boquiabertos com a chalaça
gritamos em uníssono
com vemência latente:
por quê vais mulher que passa???!!!



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terça-feira, 21 de agosto de 2007

Amor Não Correspondido




Tentar conquistar um coração
que não nos corresponde,
é como extrair melodias
num caldeirão furado,
pra convencer os rinocerontes a dançar,

quando antes queríamos mesmo,
era enternecer as estrelas,
convencê-las a nos amar...





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Iracema de Alencar de Top Florido e Jeans, huuummmm



Linda Morena,
Não joga desta forma não
Assim não tenho armas,
assim não tenho opção
desembaraça seus cabelos negros
do meu coração

Cabelos lançados enviesados
Charme, provocação
Cabelos negros azeviche
açoitados pelo vento
deslumbre, fascinação

morena que passa e leva
quem se deixa levar
leva atrevidos, inibidos, desiludidos
não admito ficar,
graciosidade que enleva, aprisiona
que dita as regras ao passar


Tu não és, Iracema do Mestre de Alencar?
Ou serás Isabel da fidalguia de o Guarani?
Tu és a rosa perolada de perfume raro
do meu jardim de desejos
que me faz sonhar noites e noites
com sua graça charmosa,
seus meneios, feitiços e requebros,

fazendo-me delirar balbuciante
com a doçura cálida dos seus beijos.


Dos Seus Lábios.




Lapidados e retocados por cinzel divino
Modelados por contornos suaves e gentis
Delicado cofre de lindas e harmoniosas pérolas
Ou seria um colar de aljôfares?

Quando semi-cerrados,
vejo onde brinca
Uma ciranda pueril, efusiva
de alados flóquinhos de neve

é somente desses lábios
onde borbotam magos e esplêndidos sorrisos
de onde escuto em sonhos dourados,
a maviosa melodia do amor
de onde dardejam, magias e encantos
onde arde expansivo, um arrebatador:
magnetismo cor-de-rosa

ao vê-los,
a esposa do flamingo, abriu as asas com desdém
a rosa vermelha ao reexaminar a maciez
e a matiz de suas pétalas
desfolhou-se, atirando espinhos
num acesso de ira!

A pobre cerejinha, tadinha!
Empalidecendo-se de inveja,
Babujou-se na nata do bolo
E revestiu-se de um rubor ainda mais carmesim
Por não ter o tom, ora rosicler, ora escarlate
Dos seus lábios
Mas melindrou-se ainda mais
Por não ter a mesma doçura dos seus beijos

Dos seus lábios, cálidos
Sinto n’alma o aflar de uma doce vertigem
Onde a brandura de uma sensação,
Derrama-se nela em dueto,
Com uma agradável leveza
De composição
Fazendo-me mais um subjugado prisioneiro,
De seu vasto Império,
De fascínio, graciosidade e sedução

E assim compreendo ainda mais
A maneira sublime, singular
De como Deus fez o coração para amar
E a boca,
a formosura de sua boca, com esses lábios
Ah! Esses lábios:

Róseo e generoso favo de mel
A pulverizar “impérios”
Parecem feitos somente,
Somente para beijar.


segunda-feira, 20 de agosto de 2007

A Grande Anaconda Vermelha de Curitiba.Ou ônibus bi-articulado




Uma Anaconda vermelha,
serpenteia veloz nesta selva de pedras
suas estações são futuristas
seus passageiros cosmopolitas
nos embarques e desembarques
abre-se o leque de tons, nuances e matizes
da excêntrica espécie humana
Raças, atitudes, ideais...

Mas se há tanta gente, tantos conterrâneos,
por que esse silêncio?
Só escuto uma voz com simpatia cibernética:
próxima parada: estação esperança,
olhares se encontram e desenconcontram
ora fugidios, ora irrequietos e evitantes
ora enamorados

quero sorrir pra linda moça
mas ela esta absorta num pensamento
por quê não posso perguntar o seu nome?
por quê não posso beijar as maçãs do seu rosto?
Que plagiam, maciez e matiz
Do pessêgo maduro?
Ou dizer-lhe apenas, bom dia!?

Mas ao encontrar-me cativo em seu olhar
eis que surge uma fera,
Ui!! Mostrou a lingua
Como pode?
Beleza esculpida, modelada e retocada
por cinzel divino, entretanto?
Há contra –sensos na criação:
supra-sumos do paradoxo.
Um bélo invólucro de seda levando dejetos?
Próxima parada: estação dignidade

o velhinho cambaleante
derrama impropérios na nova geração
mas tem uma platéia muito distante
engolfada na efusão dos ruidosos estudantes
a gestante em pé esta aflita
espera ajuda da moça com voz cibernética:
de preferência, a pessoas idosas, gestantes e deficientes

a anaconda gigantesca
serpenteia veloz , nesta selva de pedras
mas possui na pele um rubor carmesim
consequência de uma má digestão:
Eih! Roubaram minha carteira!
Por favor um minuto de sua atenção,
estou desempregado, minha mãe doente,
tenho cinco irmãos menores,
melhor pedir do que roubar,

aceito vale-transporte, vale-refeição,
lanchinho da escola,
até graveto ao molho pardo,
com água de louça,
Oh motorisa, tá carregando a mãe!!!
Tá arrumando a carga!!!
Vai desceeeerrrr, criatura ....!!!!!!!

Sinto n’alma
A doçura de uma caricía
gargalhada de crianças
renovação, espontaneidade,
esperanças

Próxima parada: estação felicidade
Todos os passageiros devem desembarcar.


davicartes@gmail.com



Mensagem para aquelas pessoas, que só nos ensinam a querer bem!

Existem talentos naturais que nenhuma faculdade distinta, ou curso noturno é capaz de oferecer, cativar com doçura singular e arrebatadora simpatia é um doutorado que você possui, mas generosa e solícita, partilha e ensina com amável persuasão, e contagiante bem querer!

Iluminando e motivando andarilhos errantes que perpassam estupefatos, pelo porto seguro inspirador, que é este teu mundo adocicado.

Á vida se torna muito mais bela quando você aparece,
Mas muito, muito mais doce quando você sorri.




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domingo, 19 de agosto de 2007

A vida é bela!! Anime-se!




Hoje o sol não deixou de brilhar soberano
Derramando sua luz ,
Que enche nossa alma de vida e alegria
Só por que você teima
Em ficar aí choramingando

Aquele travesso colibri, com seu prisma multicolorido
Hoje chegou atrasado
Mas não deixou de tomar, da sua água com mel
Só porque você esta vestida
Com essa máscara de melancolia

As azaléias neste mes de agosto
Não deixaram de matizar o jardim
Num agradável rosa pink
E de compor na cidade o dueto harmonioso
belissímo com o ipê amarelo
Só porque você não quer comer, gordinha

Lembra daquela fila de crianças, aquela que você gosta tanto!
Todas de mãozinhas dadas indo com a tia, brincar na cancha de areia
Não deixaram de mostrar a língua, me mandar beijos, me chamar de bobo
Fazer aquele sinalzinho com o dedo, e “explodirem em gargalhadas“
Só porque, você resolveu ficar o dia inteiro na cama, meu bem!

Sabe aquela chuva, que cai no final da tarde
Aquela fresquinha, fresquinha! Hoje foi mais forte!
E eu saí sem guarda chuva de novo
Mas ela não deixou de causar aquele corre-corre na Praça Tiradentes
Só porque você não quer atender nenhum telefonema, flofy!

Você percebeu como o sabiá estava animado nesta manhã?
Não! mas numa cantoria menina!
Ele não deixou de “ir ao trabalho“
Só porque a juriti, não lhe quer, doçura!

Oh meu amor, a vida não deixou de te chamar pra vivê-la!
Hoje, lhe sopraria uma brisa meliflua,
Um afago em seu cabelo, uma caricia em seu rosto
Pra gentilmente convencê-la
E pra si também tê-la.

A vida é bela!!! Gritou pra mim,
Depois de uma longa conversa animada,
aquele meu amigo
Aquele, que não tem as duas pernas,
e fica tocando sua doce flauta na Rua XV
Ele não se esquece, e não se esqueceu disso

Só porque aquele sapo
Não quer o teu beijo, minha princesa!!


davicartes@gmail.com

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Sinta, o sorriso das crianças





No sorriso de Milena
Sinto a pureza da alfazema
Como se ela derramasse de sua própria corola
O seu cálice floral
O doce perfume curativo
Em alma vincada, ressequida, agredida
De uma tenra açucena

O sorriso de Milena
Inibe de mim a tristeza
Qual doloroso eczema
Reprime de mim a melancolia
Ó excruciante edema!

O sorriso de Milena
É como a própria Mileninha
Róseo floquinho de neve
Intumescido de ternura
Que pousa plácido, brando n’alma: Pluft , Ploc
Limpando do coração, toda dor, todo o rancor,
Toda amargura

É assim o sorrisinho de Milena
Doce caricía n’alma
Como um beijo suave, querido, fagueiro
de brisa que vem do mar em fim de tarde
gentil, tépida, serena

é banho melífluo para auto-estima ferida
bálsamo paliativo, instantaneamente ativo
de delicados e enternecidos lírio brancos
farfalhados em banho pueril
matizando a alma
em assomos e assomos de rogozijo
mergulhando-a, em puro jubilo primaveril

hoje senti falta
do alvo e cândido sorrisinho de Milena
gracioso colarzinho de aljôfar
ciranda efusiva de alados floquinhos de neve
hoje não os vi, hoje não os senti
que pena!



davicartes@gmail.com

Deixe-me Aqui




Deixe-me aqui
Deliciando-me com este horizonte
Onde Deus esta a talhar
Neste pôr -do - sol rosicler
Uma tela fascinante
Sim! Uma obra excitante

Deixe-me aqui
Banhar-me nesta paz colorida
Pincelada na aquarela do ocaso
Neste chuviscar multicolor
Que nos faz esquecer completamente
Qualquer termo ou palavra
Relacionado com, atraso???

Deixe- me aqui
Por quê falar tanto em ir embora
Deleite-se comigo na harmonia
Que nos proporciona a beleza deste momento
Com que nos presenteia esta suave aurora

Deixe-me aqui
Não! Não tenho pressa em sair
Pois são em momentos mágicos como esse
Que embebido em gratidão
Me orgulho em existir

Deixe-me aqui
Ta! Pode ser ilusão
Mesmo sendo
Sinto uma caricía fagueira, agradável
Dentro d’alma, no coração

Deixe-me aqui
Meditar, refletir,
ponderar com este momento
tentar eliminar uma saudade
que me dilacera coração adentro

deixe-me aqui
deixa eu analisar essa nova situação
tentar compreender, entender, e assim reviver
como ela conchegou-se de tal maneira
em meu frágil e apaixonado coração.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Canoa Velha

Canoa Velha


Outrora companheira inseparável do navegador solitário, outrora o motivo de seu sorriso, ao puxar redes abastadas e pensar com o coração comovido, nos filhos de olhos arregalados ao centro da mesa, e em sua senhora que de costas ao fogão, lhe beija com os olhos, lhe afaga com um sorriso.

Você não foi uma mera coadjuvante nesse cenário. No entanto, o homem de peito dourado, de calças cortadas ao joelho, de sorriso incompleto e fronte vincada lhe abandonou, pois ao acidentar-se em parcéis ocultos teve que lhe deixar, visto que o talhe em sua madeira, tembém fez com que você sofresse incisões irreparáveis..

Mas note, perceba que você não ficou tão abandonada quanto parece, foi inserida num mundo de cores e de vida, num cenário de encanto e magia. Criou raízes fundas na areia alva da praia, tu és a mais nova maestrina da deliciosa e incessante orquestra do mar, que apresenta-se belamente, cingindo, abraçando o firmamento ao infinito.

Tu és soberana e encantadora ao cair de um pôr-do-sol rosiclér, onde multicoloridos carangueijos lhe oferecem desenhos abstratos, onde a maré vem brincar em sua tez descorada, tu és querida entre os vôos rasantes de miríades de andorinhas, tu és repouso de mergulhões, de albatrozes, tu se faz moradia de pelicanos apaixonados, tu és fascínio!

Ao cair da noite, sob os raios de prata da lua, tu és suspiros sôfregos de amor, entre pétalas de flor, um incontido ardor. Sob corpos no emaranhar, servis-te gentilmente qual nobre conchego, dócil cama, qual prazeroso colchão de amar.

Maestrina sensível, tens uma orquestra cativa: realcem os violinos!! Pois a brisa afaga seus sonhos pueris. E a terna mãe Lua, os cobre placidamente com um lençol alvacento, num beijo doce de boa noite.

Quantos a desejam, canoa velha
Mas a possuem apenas
Como um quadro ímpar, memorável, singular
Enfeitando bélamente,
a sala de estar.





davicartes@gmail.com


Você pode ouvir essa declaração, que fiz só pra você?

Tu és
flor que encanta, que magnetiza, que fascina
em talhe formoso, leve, delicado
embebido em pétalas de jasmim
És sinuoso invólucro de seda,
rosa sedutora em haste de cetim

Tu és
irresístivel, magnífica,
esplêndida criação divina
imagem graciosa que teima em resurgir
no espelho dos olhos
obstinada em ficar impressa na retina!!!


De onde vem essa força enigmática
Que arrebata, asfixia, alucina ?
Será dos fundos das cóvinhas de nacar
Esculpida num rostinho feiticeiro
por esse sorriso de diamantes de neve?



Davi Cartes Alves
davicartes@gmail.com

Educandário Curitiba













O grande sino de chumbo, bate fundo nas cordas d'alma,  nos depertando as seis da manhã!!!

 _ É hora de levantar!! Vamos levantar!! Levantem meninos!! Vamos!!! Nos desperta a tia Saulina. Arrumar a cama, lavar o rosto, por o uniforme azul marinho com listas brancas nas laterais, camiseta social branca, e um conguinha também azul, uma espécie de sapatilha com solado branco, fina e escorregadia, simples como todo o uniforme.

Assim, todos bem arrumados e enfileirados nos dirigíamos ao Salão Amarelo, para o café da manhã as seis e meia, uma espécie de ante sala do refeitório, ele tinha esse nome porque todo o seu piso lembrava um tabuleiro de xadrez nas cores amarelo e branco, esse salão também servia de salão de festas, eventos, lembretes e sermões.

Lá na porta o tio Araújo já nos aguardava, ele não era nem muito baixo e nem muito alto, era gordo, tinha um bigode farto, era bonachão com os que cooperavam, mas virava uma fera com os rebeldes. O tio Araújo, cuidava dos garotos da nossa faixa etária, dos 4 aos 11 anos, tinha um perfil de “capataz do bem” especialmente no modo que se trajava, rústico, simples, e sempre carregava um facão para cortar mato. Nos levava todos os dias a escola, e quando retornávamos, depois do almoço e do reforço escolar, cuidava da distribuição dos serviços , limpeza do pátio, capinagem na horta, pomar, manutenção do jardim, e muitos outros afazeres.

No salão, formávamos quatro filas , duas para os meninos e duas para as meninas, depois duma oração, o tio Araújo batia palma uma vez e dizia bem forte , quatro!! E entravamos no refeitório um de cada fila, dois meninos e duas meninas, mais quatro! Mais quatro!! Tudo muito bem orquestrado pela maestria do tio Araujo, neste compasso até todos entrarem, era assim para todas as refeições, isso é claro quando não havia sermões e acertos de contas com os traquinas, vistoria das nossas unhas, nossa vestimenta, ou outro anuncio importante.

 Após o café, nos reunimos com o tio Araújo e íamos apanhar nossas bolsas num outro complexo onde recebíamos reforço escolar.

Naquele fim dos anos setenta e inicio dos anos oitenta, o frio era muito intenso em Curitiba, a grama do educandário, bem como áreas recém carpidas por nós eram cobertas de uma espessa camada de geada, as geadas eram muito fortes e diárias e caíam por longas semana, os bueiros exalavam uma fumaça fina e incessante, brincávamos de fumar com pedaços de gravetos,  devido a nossa respiração com " fumaça", sofríamos bastante com o excesso de frio, visto que nosso uniforme era muito fino, muitas crianças choravam, batendo o queixo e balbuciando gemidos.

 Estudávamos na Escola Estadual Nossa Senhora da Salete, um bom colégio, anexo a uma Igreja que tem o mesmo nome, que fica numa região nobre de Curitiba , no Hugo Lange, bairro onde ficava também o Educandário, bem próximo a BR 116.
Quando foi inaugurado em 1945 era um preventório que combatia o  Mal de Hansen ou hanseníase, depois tornou-se um educandário  para crianças e adolescentes, na nossa época, sob os cuidados do IAM - Instituto de Assistência ao Menor, com suas kombis e duas faixas cor laranja impresso em diagonal nas laterais. ( CEDIT -Centro de Estudo, Diagnostico e Indicação de Tratamento –  IAM -SETREM-  FASPAR - SAM - CENSE)

Felizmente com o passar da manhã, o sol mais tépido dissipava mais o frio e nossos dedos que estavam duros para escrever, se soltavam mais. As onze e quarenta e cinco o tio Araújo voltava para nos apanhar, nos reuníamos gradativamente na frente da escola: - Falta o Alamiro, o Eudócio foi no banheiro, a Cristina ia devolver um livro na biblioteca.

 Em fim todos reunidos, voltávamos mais animados com o sol mais quente e radiante, os dias de inverno iniciavam muito frios em Curitiba, mas eram dias belíssimos de um azul intenso que contagiava-nos sobremaneira.
A fome fazia-nos apressar o passo, não víamos a hora de chegar para o almoço, trocávamos de roupa e ao meio-dia o grande sino de chumbo maciço era batido com mais força para a refeição.


Fazíamos novamente as filas, entretanto antes do almoço, a tia Sereste, passava em revista, todas as filas para ver as unhas, o corte de cabelo, a nossa vestimenta, e quem estava com as unhas grandes tomava umas varadas nos dedos, - Vai cortar essas unhas menino! Parece bicho! Higiene, limpeza, não sejam cascãozinhos!!! Depois de alguns sermões, lembretes , advertências e anúncios, começava então o “ritual dos quatro” do tio Araújo, - Quatro! Mais quatro! Vamos ! Mais rápido!

A fragrância de comida que vinha dos refeitórios, abria-nos o apetite. Lá dentro, as tias estavam todas apostas com seus panelões com arroz, feijão, carne, saladas e suco, Enquanto almoçávamos, a tia Saulina e outras tias, passavam entre as mesas para nos observar, se não deixávamos cair comida na mesa, se não deixávamos comida no prato, ou bagunçávamos, e se nós meninos não íamos sentar junto com as meninas, que almoçavam do outro lado, um corredor separava as nossas mesas das delas.

Mas o Jatson, não tinha jeito, era terrível, quando menos esperava, ele estava lá todo prosa, e a tia Saulina o trazia pela orelha , pra nossa mesa, explodíamos em gargalhadas. - Não adianta Jatson, é carpi na rocha! É socar ouriço rapaz ! É cabecear o travessão! Consolávamos ele! Após o almoço, e depois de escovarmos os dentes, esperávamos os professores, pois tínhamos aulas de reforço escolar, bem como tarefas de casa, educação física, e outras matérias adicionais.

Cemitério dos Eucaliptos

Quando nos dirigíamos para esse outro local, uma espécie de escolinha, numa área também muito verde e mais alta, passávamos por um “ lugar mágico ”, que chamávamos de “ cemitério dos eucaliptos” , um vale descampado em declive com vários troncos enormes de eucaliptos derrubados a muito tempo, mas no local há ainda muitos outros eucaliptos seculares que pareciam velar seus diversos companheiros mortos, fechando naturalmente essa área onde havia muitos pássaros, esquilos, e borboletas.

Nos deleitávamos em brincar ali, o perfume de eucalipto era marcante neste espaço de folguedos e traquinagens,  em todo o educandário havia muitas folhas deles no chão que confeccionavam um vasto tapete de pelúcia, com um aroma delicioso , era um verdadeiro deleite quando éramos dispensados e podíamos brincar entre as muitas opções, no cemitério dos eucaliptos.

 Depois do reforço escolar, lição de casa, aulas de religião e boa moral, bem como muita leitura, por volta das três e trinta da tarde ou quatro horas, o tio Araújo novamente vinha nos apanhar para, fazermos serviços no educandário, um dia íamos trabalhar na horta, no casarão, outro dia no pomar capinar, outros dias íamos trabalhar lá na baixada lá  pra baixo da capela, numa das divisas com a base Aérea do Bacacheri, outro bairro próximo, esse local de plantio era outra área muito ampla, onde plantávamos feijão, milho e mandioca, outros dias apanhávamos vassorões enormes e varríamos o pátio, estacionamentos, ruas do internato, havia muito trabalho.

Por volta das 17:00 horas éramos dispensados, podíamos então brincar, jogar futebol num campão de terra vermelha , outros iam fazer pipas com fios de saco de cebola e o plástico dos pacotes de arroz, outros iam ver os aviões pousar ou decolar da Base Aérea do Bacacheri, Ou Cindacta, outros ainda iam fazer o que lhes desse na telha, recolhidos muitas vezes nos quartos debatendo-se na dor da saudade dos pais, ouvindo o jazz da solidão e seus muitos refrões, embebidos na melancolia e sua chuva de lâminas doridas.

Naqueles fins de tarde belíssimos de inverno, em que no crepúsculo de nossas almas pueris os arrebóis cambiavam seus tons rosiclér nos céus, gostávamos muito de nos deitar no cemitério dos eucaliptos e enquanto jogávamos conversa fora, ouvir o vento que soprava nas folhas produzindo uma “musica” muito agradável, uma “ orquestra” que vinha daquelas árvores frondosas, era sumo deleite, isso tudo até as seis ou seis e meia da tarde, quando  tínhamos de ir tomar banho para o jantar que era servido as sete.

No inverno ainda tínhamos alguns chuveiros quentes, outros estragados, mas no verão, lembro-me de só haver aqueles canos ,sem o chuveiro, de onde vinha uma água gelada com muita força e intensidade. As 19:00 , o toque do sino rompia novamente por toda a área do educandário, aquela rotina religiosamente seguida, com tio Araújo com o cabelo lambido, --- Hummm tomou bainho tio Araújo?? Deixa de se besta muleque!! Cria tipo rapaz! Vai logo! Vai quatro!!! Mais quatro!...

Após o jantar ,íamos para sala de televisão, os mais velhos acabavam dominando a programação, a tia Antonia, do turno da noite, as vezes passava na sala , até assistia conosco, pra ela tanto fazia desde que não desse brigas , o que ocorria muitas vezes, aí era um deus nos acuda, pois algumas brigas eram feias, com muito tumulto, socos e ponta-pés.

Esse era basicamente um dia útil, um dia de semana, com aula e atividades no Educandário Curitiba, com algumas variantes de circunstâncias , de tempo , de fatos, o que produziria uma coletânea interminável de contos memoráveis, mas é claro que nos finais de semana e nas férias era bem diferente, a programação sofria algumas alterações e para melhor é claro.

 No pavilhão do outro lado, as meninas!!!

Eram muitas, algumas simples, dóceis e gentis, outras mais sofisticadas, belas, misteriosas, enigmáticas, ainda outras inacessíveis, ríspidas, rudes!


 Lá estavam as minhas queridas irmãs.

Lindsay

Há a Lindsay, Quando ouvi sua voz a primeira vez, me perguntei: Não será essa a voz dos querubins?? Quando a vi pela primeira vez, me perguntei: Não foi esse rostinho, esses braços, esse colo, essa pele, feita das asas de anjos? Ou das pétalas de copo-de-leite, ou ainda do perfume e da seda das hortências, flores que enfeitavam os jardins e parques do Educandário?

Quando vi aquele sorriso me perguntei, sorriso ou um diamante que brilha? O céu que se anila? Faz lembrar a primeira estrela que cintila.

Lindsay tinha a alma de Iracema, o corpo de Cecília, a faceirice de Berta, filhas de Jose de Alencar, com os encantos de Kamala de Herman Hesse, aqueles olhos lânguidos e cativantes da Capitu e todo o feitiço despretensioso da Lolita de Nabokov, supremo deleite era admirá-la em muda veneração, tinha uma vontade de corrigir aqueles anéis dourados do seu cabelo, que sempre teimavam em brincar nos seus lábios, como sedentos e travessos colibris.

Aquele jogar o cabelo pro lado, com uma doce inflexão no talhe mimoso, derrubava dinastias como fileiras de dominós, Lindsay era essência de poesia, mostrou-me que o mar torná-se bem mais volátil quando os sonhos fremem de amor.

Suspirava em nossos sonhos, 

" Pobres cães famintos que ladram o amor em sonhos de pedra!!!"

 Ela devorava minha alma, uma e mil vezes, para depois cuspir os ossinhos,  sonhava que estava me afogando no profundo mar azul, que só aquele par de lindos olhos possuía. 

As vezes me perguntava:  Lindsay existe mesmo ou é apenas uma sensação?


Um dia quando estávamos no cemitério de eucaliptos, o sol coava entre as árvores soberanas uma luz diáfana feito vapor, ao contemplar Lindsay em meio a essa luz, seu vestidinho floral, seu surrado sapatinho ana bela, sua tiarinha de acrílico grudada com durex, represando as lindas e volumosas madeixas, ela alí imóvel, entre miríades e miríades de borboletas que pousavam em Lindsay, notei que as borboletas possuíam multicoloridas asas de seda e delicadas anteninhas de ouro, tal era o encanto da pequena.

 Foi quando senti n'alma que o germe do amor já debatia-se com força de colosso, surgindo com a impetuosidade da pororoca nos cabeços do rio Nhundiaquara em Morretes, há o amor, quem poderá contê-lo?

Naquele estado de transe e contemplação imortalizou-se em minh'alma uma máxima etérea:
    

Algumas musas
são indecifráveis
para uma só 
 geração de pecadores


e quando elas seduzem
  
 não a geração
 que as  definam



As meninas tinham a mesma rotina que a nossa, isso é claro até o reforço escolar, quando as atividades eram diferenciadas, para elas, serviços na lavanderia, cuidar de um berçário, limpeza da cozinha, decoração, artesanato, pintura em pano de prato, prendas domésticas, e muitos outros afazeres.

Jatson

Muitas crianças no educandário estavam realmente abandonadas pelos pais, uma delas era o Jatson,

Quem quebrou aquele vidro? Quem inicio aquela briga? Quem abaixou a saia da menina? Quem fez o sinalzinho com o dedo para o diretor da escola? Não sabe??? O Jatson!!!

Ele sempre gritava para aquele silêncio do gado no pasto : Calem-se !!!!
Olhavam indiferentes num eterno mascar
Assim como Clarice Lispector, Jatson cismava com " a paz que há nos olhos do boi " .

 Por isso o Jatson levou muitos “cascudos” do tio Araújo, uma especialidade dele. As vezes era tão mutante o estado de espírito do Jatson, como o era, as condições do tempo em Curitiba , a ponto de reboar pelo Educandário a “gargalhada do Jatson”, que se misturava no mesmo dia, com seu choro abafado, sufocado, soluçante, relembrando aos tios e tias, que ele era só mais uma criança, um órfão inofensivo.

Mas teve um dia que mudou a vida do Jatson. Um daqueles dias de inverno de céu cinza-chumbo, outra peculiaridade do inverno Curitibano, uma garoa fina, quase imperceptível, tipo serragem miúda, como que salpicada pelas mãos de Deus, e muito, muito frio, neste dia como acontecia periodicamente, casais de gringos, vieram visitar alguns órfãos para adoção.

Quem foi o escolhido desta vez?

Ele mesmo, O Jatson. Burocracias resolvidas, lá se foi o Jatson, com sua gargalhada memorável, com seu choro contagiante, penetrante, com sua genialidade e iniciativa para traquinagens de dar inveja. Ele foi, e levou um pedaço de nós, do nosso coração, das nossas vidas, levou um pouquinho das lágrimas de cada um de nós, até o Tio Araújo, chorou! Ficamos estupefatos! Por muitos dias, houve um silencio melancólico por entre aqueles seculares eucaliptos, saudosistas de suas gargalhadas, aliás, só ele conseguia transmontá-los com singular habilidade .

 Sem duvidas ele levou um pouco de nós, porque o Jatson de certo modo sintetizava, simbolizava a realidade , a vida e a história de muitos garotos do Educandário Curitiba que infelizmente, tiveram um destino bem diferente do dele!

A volta de Jatson

E pasmem todos, um dia ele voltou!

 Cinco anos depois. Ganhou uma viagem de presente dos novos pais, e escolheu voltar ao Brasil.  Ninguém o reconheceu. Também pudera! Mais alto, altaneiro, mais belo, belíssimo, metido num sobretudo vermelho, longo, num impecável e charmoso cachecol, o cabelo bem penteadinho, o dele que era uma moçoroca, o sapato preto lustradinho, o dele que vivia num barro só.

Todos nós borboleteávamos em volta do Jatson. E ele imóvel, soberano, o olhar indiferente dardejando o horizonte. Quando cheguei perto dele, mudo e petrificado, medindo cada poro, ao lado de Lindsay, com extrema dificuldade, lhe perguntei:

É Você Jatson???

Longo silêncio, suspense, medo e duvida.

Ele virou pra mim, com o rosto marchetado de pontos de interrogação, perguntou-me:

- Parlez- vous français???










Mais de trinta anos depois
  encontro esse convite nas redes sociais:

   












" Se você acha caro a educação,
o que dizer da ignorância?
É uma fortuna!! "



   Mais investimentos pesados em educação,
reduziriam significativamente a "fortuna" 
gasta com o que a falta dela proporciona 



O estudo, a leitura, a educação, a fé em um Deus amoroso ,
 desencadeiam profundas transformações














segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Tio Edumundo

Tio Edmundo

Quis um dia ver o mundo
Como o vê tio Edmundo
Seu viver em submundo
Sob olhar triste, profundo
E um pavor tão descabido
De chegar o fim do mundo

Quis um dia ver o mundo
Como o vê tio Edmundo
Seu andar desacertado
Seu arfar descompassado
Seu gritar esganiçado
Por nascer meio corcunda

Quis um dia ver o mundo
Como o vê tio Edmundo
Eis Quasímodo, quão gentil!
De apaixonar-se tão febril
Por um par de olhinhos azul anil
Da floricultura mais sortida
Ali da Praça 21 de Abril
E não adianta negar, viu tio??

Quis um dia ver o mundo
Como o vê tio Edmundo
Jogo do time preferido
Não perder um só segundo
Frango ensopado com batata
“Hummm"! Tem que servir pra todo mundo!!!”
Eh! sujeito “boa praça”!!
Oh! arzinho moribundo!!

Quis um dia ver o mundo
Como o vê tio Edmundo
E sempre dizer para os mais jovens
Estuda meu guri, vai ler um livro, estuda!!
Não te torne um vagabundo!!

Eu quisera ver o mundo
Como via, tio Edmundo
Seu viver em submundo
Sob olhar doce, profundo
Pena chegar tão prematuro
Seu temido fim do mundo.

Pena saber que a vida não ensina
O que só se aprendia, na vastidão
Do seu rico submundo.


Davi Cartes Alves
davicartes@gmail.com

sábado, 11 de agosto de 2007

Por Quê não deixamos em paz o passado?


Por que não deixamos em paz o passado?

Por que não deixamos em paz o passado?
Que acorda qual Etna encolerizado
Fazendo tremular em marés rijas
O dorso plácido e coleante
Do Arno, em madrugada de bonança
Por que vasculhar tanto no passado?
Fazendo sublevar das mansardas d"alma
Fantasmas e espectros desvairados
Outrora, em sofreguidão afugentados
Agora enfurecidos, desacorrentados
Do vale das lágrimas dardejados
Pelos recantos d"alma reboados
Por que engolfar-se tanto com o passado?
Abrindo cicatrizes já amalgamadas
Qual eiva que fere o cerne secular
Em baluarte heroicamente experimentado
seu térmita insano, obstinado
Com suas presas de aço bruscas! Dessarrazoadas!
Por que perturbar tanto o passado?
Qual arma e escudo de derrotados
Que encontram na hipocrisia um lânguido aliado
Esgrimistas afoitos, errantes
Tacitamente subjugados!
Por que?
Por que não deixar em paz o passado??!!

Davi Cartes Alves
davicartes@gmail.com

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Mulher , Eterna Musa inspiradora




Mulher
Eterna Musa inspiradora

Quer saber um segredo?
Deus criou o homem, mas o seu arco-íris
é que soprou a mulher

Daí o prisma multicolorido
De nuances, sensações e semi-tons
Que causam n’alma,
O seu olhar, a graça dos gestos,
a efusão de ternura, suprema doçura
que nos embebi em fagueiro frescor
esse invólucro de cetim

lábios?
pétalas de rosa, nadando em leite pérola
neste talhe grácil, ondulações amenas
recortes caprichosos, correção de linhas
suave harmonia , meliflua magia


quão lépido, sensível, ágil
finalizou o cinzel divino
pôs em haste delicada,
azaléia, gérbera, tulipa, estrelícia, acácia,
para sorvê-las num cálice de lírio
em sumo deleite! Delírio!

Com elas é viver não apenas uma lua de mel
Mas sublevar em astro perene
De encantos e sabores
De sorrisos e flores

Sorriso,
Ou um diamante que brilha
Ou o céu que se anila
Faz lembrar a primeira estrela que cintila

Só elas conhecem bem
O jogo cruel de acorrentar por embevecimento
Excitar desejos, anunciarem as guerras
semearem esperanças, para depois magoá-las
Como as tiaras, fitas e flores
Que trazem no cabelo

É, desvendei um segredo
Deus brincou de ser Deus
Quando notou no céu, que os arrebóis vespertinos
Pincelados em tons rosiclér
Rimavam com:
Mulher.



Davi Cartes Alves
davicartes@gmail.com






Domingo, sem você ?




Domingo, sem você ?

O frango assado
No microondas jaz torrado
O macarrão, eu e o Rex também esquecemos
Até dá pra comer
Mas ficou tipo,“ unidos venceremos “ !!!

Domingo, sem você
O frio é mais gélido
O calor, causticante, abrasador
O vazio um abismo
A dor, excruciante torpor

Domingo, sem você
A insônia é prolongada
Na TV, só guerra e fim do mundo
eis um chafariz de lágrimas incessantes
O suspiro é mais profundo

Na sala, o riso da Monalisa é ironia
Na cerca, o canto da sabiá, melancolia
No belo pôr -do – sol
Ouço gritos de agonia!

Em nosso reino encantado
Domingo, rico microcósmo
Ensolarado de magia
Sem você, de novo!
Ta se deixando 

corromper por tirania!













Saudade









                                   




















Davi Cartes Alves





terça-feira, 7 de agosto de 2007

Armas, sangue e lágrimas

Armas, sangue e lágrimas


Hei?!?!
Veja só esse jornal!
Puxa quanto mal!?
Mas o que há afinal?

Estilhaços de bombardeios
Estilhaços de gente
Sangue que insufla nas veias do soldado
Sangue que corre em pele inocente

Mãos que agarram, armas pesadas
Mãos que vão ao rosto
Por não serem lembradas
Pernas que correm pra liquidar
Pernas cambaleantes
Por temor de ficar

Preconceitos mesquinhos
Facções de canalhas
Ossos que sofrem desenhados nas malhas
Fome que agride e machuca
Entre hodiernas Somálias

Pássaros de prata rabiscam os céus
Destruindo famílias, arrancando seus véus
Olhe esta tv,
como esta embebia em sangue inocente
, ou folheie este jornal
Armas, sangue e lágrimas
Mas por quê tanto mal?



Davi Cartes Alves
davicartes@gmail.com

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Fluido Vital


Fluido Vital

Um olhar taciturno pousa trêmulo sobre a represa já vazia
Exauriu-se o fluido vital, refrescante , revitalizador
Que tão bem os alimentava,
os revigorava, e os supria

Agora , o beijo mui terno na face canela, mui tenra, macia
É consolo que não mais sacia
No mormurejar de palavras entrecortadas
em sonhos, surgem na fronte vincada,
bagas suculentas de água da vida
Que os lábios desejosos, ansiosos, aos quantos sorvia

A ansiedade os devora em mais um cálido dia
enquanto esperam a chuva anunciada por essas paragens
Pelos sulcantes sopros dos ventos,
olhares dardejam aos campos azuis
Inquietos, suplicantes e atentos

Olham agora estupefatos, mais uma carcaça de gado
que engolfa-se sobre a lama, parecendo ainda mais sedento
No que outrora se contorcia, num majestoso, implacável, generoso
No que outrora seria, aguaceiro impetuoso,
voraz rebento.



Davi Cartes Alves
davicartes@gmail.com


Amor de vózinha querida





Oh Vó!
Por clemência
nos arranque deste veloz carrossel
desgovernado, vertiginoso
com cabeças de dragões

simulando ilusões de conquistas
entre tesouros ocultados
mas vó, não nos leva a lugar nenhum
senão nesta seara de lágrimas
que já atravessastes altaneira
quando a verdadeira felicidade
esta no cheirinho deste bolo
que só voce sabe fazer vovó querida

Responda-nos vovó,
Por que será que no amor
damos uma de faquir
quando esquecemos possuir
pés & pele
de recém-nascidos?

Oh vó! Veja isso!
Por que essas fendas em suas mãos
e esses vincos em sua tez
tornaram-se
 berçários cinco estrelas???

Vovó,
nos de a honra de contemplar
 e nos deleitar
este seu flertar da janela
com o crepúsculo vespertino

entre novelos multicoloridos,
entre lânguidos felinos,
entre netos acarinhados
e ouvir o crepitar na chaleira de ferro
da erva-cidreira da resignação

Mas na conclusão de tudo isso, vovó
corremos arfantes e pressurosos
pra sua casinha centenária
entre pardais e ipês,
entre araucárias e riachos

emoldurada
por baldias azaléias,
gérberas & ciclames
e suas valentes violetas

voltamos assim,
angustiados e palpitantes vovó
para ouvir entre pausas afetuosas
e  melifluos conselhos
este seu   b- a - ba
 de sabedoria  &  sobrevivência





Davi Cartes Alves




domingo, 5 de agosto de 2007

Bem Me Quer


Bem-me-quer.

Este seu sorriso menina
Ora provoca furacões tempestuosos n’alma
Borrascas da mão divina?
Um não sei que de Katrina

Ora, és doce canção de ninar
Nos arcanos do coração
Ora, és Beijo doce de escorpião
Fragmentos seus na visão

Como esquecer sorriso brejeiro
esse rostinho feiticeiro
Esse olhar sensual
Esse corpinho escultural

Pensar em você
Com essa gérbera despetalando
Só sei pronunciar, bem–me-quer
Amando e lhe amando

Mas um bucadinho do seu bem-querer??
Como merecer?
E se um presente lhe oferecer? Implorei ao mar:
um topzinho de conchas e corais
supliquei a lua, um vestido de néon
De joelhos com as mãos ao céu:
Por uma tiara de estrelas

E então?
Tudo isso, por um só cantinho
No seu disputado coração
Pode ser no sótão, ou no porão
Mas não me deixe aqui
Passsando ora frio, ora intenso calor
Na acetinada palma de sua mão.

Davi Cartes Alves

Inverno

Inverno


Lá fora o inverno
Só restam algumas flores baldias
resistindo heróicamente ao algoz de gelo
Jazem lânguidas, lívidas e esquecidas

O sopro da morte,
borrifado atravéz da brisa crestante
Faz com que desfolhadas
Balbuciem o ultimo suspiro

Prematuros suicidas
Incauto namorado
A flor do ipê dourado
fulminado
com a azaléia rosiclér

Assim partiram também
o teu sorriso e o meu desejo
melados de quentão
naquela noite de inverno
na feira do pinhão
aquecida ilusão

debaixo deste céu de chumbo
deslizas altaneira
neste calçadão de gelo
teu charme em relevo
emaranhado em cachecóis
me enlevam, me arrebatam
despretensiosamente, sem apelo

béla ninfa
ficas ainda mais béla
de sobretudo caramelo
os anéis de seus cabelos me anelam
ao roubarem beijos dos seus lábios de mel
como travessos colibris.


Davi Cartes Alves
davicartes@gmail.com




Já notou Curitiba em agosto?


É sempre assim em agosto
Ela esta deslumbrante
com seu vestido de azaléias pink
E seu top de ipês-amarelos

Vejo-a sempre assim neste inicio de agosto
assim sabe, encantadora, nos parques
olha como esta linda no Tanguá
vejo-a nos terminais de ônibus
no do Cabral, Campo-Comprido, do Bairro Alto
e nos jardins da vizinhança
notou-a na Av. Erasto Gaetner?

e o vento a afaga , brinca com seu cabelo
sopra todo seu corpo, sua gente, seus bi-articulados
beija sua Boca Maldita,
só pra si tê-lo
envolvendo-a no “seus braços”
com carinhos, com cuidados,
com desvê-lo

Já notou Curitiba em agosto?
Há nela um frescor de drops extra-forte
ora gélido
Ora de um sabor meia – estação
E o coral das sábias
já começou os seus ensaios
Ouviu? É musica para o coração!

Já notou Curitiba em agosto?
até as garotas do colégio
furtam-lhes suas flores
olha lá, todas de azaléia pink na orelha
Lindas! Com este uniforme azul, que visual
Éh! são as gatinhas saindo do Colégio Estadual

Oh Dalton, aparece pra vê-la
Bébe só um bucadinho desta luz
Ela já te disse que você é seu vampiro preferido
Vem sair com a gente, vem!!

Vê-la com esse top de ipês-amarelos
Este vestido de azaléias pink,
Ah! E essa tiara de estrelicías
É simplesmente,
Sensacional
E saber que Setembro não será diferente

E, então?
Já notou Curitiba em agosto?


Davi Cartes Alves
davicartes@gmail.com


Jardim de Estrelicías

Jardim de estrelícias


Contemplá-la
É se perder pela órbita
De um céu de delicías

E caindo
Se afogar em deleite
Em um mar de caricías

Para amá-la
Entre passáros de fogo
Em meio a origamis de luz
Num jardim de estrelicias



Davi Cartes Alves
davicartes@gmail.com