terça-feira, 14 de agosto de 2007

Educandário Curitiba













O grande sino de chumbo, bate fundo nas cordas d'alma,  nos depertando as seis da manhã!!!

 _ É hora de levantar!! Vamos levantar!! Levantem meninos!! Vamos!!! Nos desperta a tia Saulina. Arrumar a cama, lavar o rosto, por o uniforme azul marinho com listas brancas nas laterais, camiseta social branca, e um conguinha também azul, uma espécie de sapatilha com solado branco, fina e escorregadia, simples como todo o uniforme.

Assim, todos bem arrumados e enfileirados nos dirigíamos ao Salão Amarelo, para o café da manhã as seis e meia, uma espécie de ante sala do refeitório, ele tinha esse nome porque todo o seu piso lembrava um tabuleiro de xadrez nas cores amarelo e branco, esse salão também servia de salão de festas, eventos, lembretes e sermões.

Lá na porta o tio Araújo já nos aguardava, ele não era nem muito baixo e nem muito alto, era gordo, tinha um bigode farto, era bonachão com os que cooperavam, mas virava uma fera com os rebeldes. O tio Araújo, cuidava dos garotos da nossa faixa etária, dos 4 aos 11 anos, tinha um perfil de “capataz do bem” especialmente no modo que se trajava, rústico, simples, e sempre carregava um facão para cortar mato. Nos levava todos os dias a escola, e quando retornávamos, depois do almoço e do reforço escolar, cuidava da distribuição dos serviços , limpeza do pátio, capinagem na horta, pomar, manutenção do jardim, e muitos outros afazeres.

No salão, formávamos quatro filas , duas para os meninos e duas para as meninas, depois duma oração, o tio Araújo batia palma uma vez e dizia bem forte , quatro!! E entravamos no refeitório um de cada fila, dois meninos e duas meninas, mais quatro! Mais quatro!! Tudo muito bem orquestrado pela maestria do tio Araujo, neste compasso até todos entrarem, era assim para todas as refeições, isso é claro quando não havia sermões e acertos de contas com os traquinas, vistoria das nossas unhas, nossa vestimenta, ou outro anuncio importante.

 Após o café, nos reunimos com o tio Araújo e íamos apanhar nossas bolsas num outro complexo onde recebíamos reforço escolar.

Naquele fim dos anos setenta e inicio dos anos oitenta, o frio era muito intenso em Curitiba, a grama do educandário, bem como áreas recém carpidas por nós eram cobertas de uma espessa camada de geada, as geadas eram muito fortes e diárias e caíam por longas semana, os bueiros exalavam uma fumaça fina e incessante, brincávamos de fumar com pedaços de gravetos,  devido a nossa respiração com " fumaça", sofríamos bastante com o excesso de frio, visto que nosso uniforme era muito fino, muitas crianças choravam, batendo o queixo e balbuciando gemidos.

 Estudávamos na Escola Estadual Nossa Senhora da Salete, um bom colégio, anexo a uma Igreja que tem o mesmo nome, que fica numa região nobre de Curitiba , no Hugo Lange, bairro onde ficava também o Educandário, bem próximo a BR 116.
Quando foi inaugurado em 1945 era um preventório que combatia o  Mal de Hansen ou hanseníase, depois tornou-se um educandário  para crianças e adolescentes, na nossa época, sob os cuidados do IAM - Instituto de Assistência ao Menor, com suas kombis e duas faixas cor laranja impresso em diagonal nas laterais. ( CEDIT -Centro de Estudo, Diagnostico e Indicação de Tratamento –  IAM -SETREM-  FASPAR - SAM - CENSE)

Felizmente com o passar da manhã, o sol mais tépido dissipava mais o frio e nossos dedos que estavam duros para escrever, se soltavam mais. As onze e quarenta e cinco o tio Araújo voltava para nos apanhar, nos reuníamos gradativamente na frente da escola: - Falta o Alamiro, o Eudócio foi no banheiro, a Cristina ia devolver um livro na biblioteca.

 Em fim todos reunidos, voltávamos mais animados com o sol mais quente e radiante, os dias de inverno iniciavam muito frios em Curitiba, mas eram dias belíssimos de um azul intenso que contagiava-nos sobremaneira.
A fome fazia-nos apressar o passo, não víamos a hora de chegar para o almoço, trocávamos de roupa e ao meio-dia o grande sino de chumbo maciço era batido com mais força para a refeição.


Fazíamos novamente as filas, entretanto antes do almoço, a tia Sereste, passava em revista, todas as filas para ver as unhas, o corte de cabelo, a nossa vestimenta, e quem estava com as unhas grandes tomava umas varadas nos dedos, - Vai cortar essas unhas menino! Parece bicho! Higiene, limpeza, não sejam cascãozinhos!!! Depois de alguns sermões, lembretes , advertências e anúncios, começava então o “ritual dos quatro” do tio Araújo, - Quatro! Mais quatro! Vamos ! Mais rápido!

A fragrância de comida que vinha dos refeitórios, abria-nos o apetite. Lá dentro, as tias estavam todas apostas com seus panelões com arroz, feijão, carne, saladas e suco, Enquanto almoçávamos, a tia Saulina e outras tias, passavam entre as mesas para nos observar, se não deixávamos cair comida na mesa, se não deixávamos comida no prato, ou bagunçávamos, e se nós meninos não íamos sentar junto com as meninas, que almoçavam do outro lado, um corredor separava as nossas mesas das delas.

Mas o Jatson, não tinha jeito, era terrível, quando menos esperava, ele estava lá todo prosa, e a tia Saulina o trazia pela orelha , pra nossa mesa, explodíamos em gargalhadas. - Não adianta Jatson, é carpi na rocha! É socar ouriço rapaz ! É cabecear o travessão! Consolávamos ele! Após o almoço, e depois de escovarmos os dentes, esperávamos os professores, pois tínhamos aulas de reforço escolar, bem como tarefas de casa, educação física, e outras matérias adicionais.

Cemitério dos Eucaliptos

Quando nos dirigíamos para esse outro local, uma espécie de escolinha, numa área também muito verde e mais alta, passávamos por um “ lugar mágico ”, que chamávamos de “ cemitério dos eucaliptos” , um vale descampado em declive com vários troncos enormes de eucaliptos derrubados a muito tempo, mas no local há ainda muitos outros eucaliptos seculares que pareciam velar seus diversos companheiros mortos, fechando naturalmente essa área onde havia muitos pássaros, esquilos, e borboletas.

Nos deleitávamos em brincar ali, o perfume de eucalipto era marcante neste espaço de folguedos e traquinagens,  em todo o educandário havia muitas folhas deles no chão que confeccionavam um vasto tapete de pelúcia, com um aroma delicioso , era um verdadeiro deleite quando éramos dispensados e podíamos brincar entre as muitas opções, no cemitério dos eucaliptos.

 Depois do reforço escolar, lição de casa, aulas de religião e boa moral, bem como muita leitura, por volta das três e trinta da tarde ou quatro horas, o tio Araújo novamente vinha nos apanhar para, fazermos serviços no educandário, um dia íamos trabalhar na horta, no casarão, outro dia no pomar capinar, outros dias íamos trabalhar lá na baixada lá  pra baixo da capela, numa das divisas com a base Aérea do Bacacheri, outro bairro próximo, esse local de plantio era outra área muito ampla, onde plantávamos feijão, milho e mandioca, outros dias apanhávamos vassorões enormes e varríamos o pátio, estacionamentos, ruas do internato, havia muito trabalho.

Por volta das 17:00 horas éramos dispensados, podíamos então brincar, jogar futebol num campão de terra vermelha , outros iam fazer pipas com fios de saco de cebola e o plástico dos pacotes de arroz, outros iam ver os aviões pousar ou decolar da Base Aérea do Bacacheri, Ou Cindacta, outros ainda iam fazer o que lhes desse na telha, recolhidos muitas vezes nos quartos debatendo-se na dor da saudade dos pais, ouvindo o jazz da solidão e seus muitos refrões, embebidos na melancolia e sua chuva de lâminas doridas.

Naqueles fins de tarde belíssimos de inverno, em que no crepúsculo de nossas almas pueris os arrebóis cambiavam seus tons rosiclér nos céus, gostávamos muito de nos deitar no cemitério dos eucaliptos e enquanto jogávamos conversa fora, ouvir o vento que soprava nas folhas produzindo uma “musica” muito agradável, uma “ orquestra” que vinha daquelas árvores frondosas, era sumo deleite, isso tudo até as seis ou seis e meia da tarde, quando  tínhamos de ir tomar banho para o jantar que era servido as sete.

No inverno ainda tínhamos alguns chuveiros quentes, outros estragados, mas no verão, lembro-me de só haver aqueles canos ,sem o chuveiro, de onde vinha uma água gelada com muita força e intensidade. As 19:00 , o toque do sino rompia novamente por toda a área do educandário, aquela rotina religiosamente seguida, com tio Araújo com o cabelo lambido, --- Hummm tomou bainho tio Araújo?? Deixa de se besta muleque!! Cria tipo rapaz! Vai logo! Vai quatro!!! Mais quatro!...

Após o jantar ,íamos para sala de televisão, os mais velhos acabavam dominando a programação, a tia Antonia, do turno da noite, as vezes passava na sala , até assistia conosco, pra ela tanto fazia desde que não desse brigas , o que ocorria muitas vezes, aí era um deus nos acuda, pois algumas brigas eram feias, com muito tumulto, socos e ponta-pés.

Esse era basicamente um dia útil, um dia de semana, com aula e atividades no Educandário Curitiba, com algumas variantes de circunstâncias , de tempo , de fatos, o que produziria uma coletânea interminável de contos memoráveis, mas é claro que nos finais de semana e nas férias era bem diferente, a programação sofria algumas alterações e para melhor é claro.

 No pavilhão do outro lado, as meninas!!!

Eram muitas, algumas simples, dóceis e gentis, outras mais sofisticadas, belas, misteriosas, enigmáticas, ainda outras inacessíveis, ríspidas, rudes!


 Lá estavam as minhas queridas irmãs.

Lindsay

Há a Lindsay, Quando ouvi sua voz a primeira vez, me perguntei: Não será essa a voz dos querubins?? Quando a vi pela primeira vez, me perguntei: Não foi esse rostinho, esses braços, esse colo, essa pele, feita das asas de anjos? Ou das pétalas de copo-de-leite, ou ainda do perfume e da seda das hortências, flores que enfeitavam os jardins e parques do Educandário?

Quando vi aquele sorriso me perguntei, sorriso ou um diamante que brilha? O céu que se anila? Faz lembrar a primeira estrela que cintila.

Lindsay tinha a alma de Iracema, o corpo de Cecília, a faceirice de Berta, filhas de Jose de Alencar, com os encantos de Kamala de Herman Hesse, aqueles olhos lânguidos e cativantes da Capitu e todo o feitiço despretensioso da Lolita de Nabokov, supremo deleite era admirá-la em muda veneração, tinha uma vontade de corrigir aqueles anéis dourados do seu cabelo, que sempre teimavam em brincar nos seus lábios, como sedentos e travessos colibris.

Aquele jogar o cabelo pro lado, com uma doce inflexão no talhe mimoso, derrubava dinastias como fileiras de dominós, Lindsay era essência de poesia, mostrou-me que o mar torná-se bem mais volátil quando os sonhos fremem de amor.

Suspirava em nossos sonhos, 

" Pobres cães famintos que ladram o amor em sonhos de pedra!!!"

 Ela devorava minha alma, uma e mil vezes, para depois cuspir os ossinhos,  sonhava que estava me afogando no profundo mar azul, que só aquele par de lindos olhos possuía. 

As vezes me perguntava:  Lindsay existe mesmo ou é apenas uma sensação?


Um dia quando estávamos no cemitério de eucaliptos, o sol coava entre as árvores soberanas uma luz diáfana feito vapor, ao contemplar Lindsay em meio a essa luz, seu vestidinho floral, seu surrado sapatinho ana bela, sua tiarinha de acrílico grudada com durex, represando as lindas e volumosas madeixas, ela alí imóvel, entre miríades e miríades de borboletas que pousavam em Lindsay, notei que as borboletas possuíam multicoloridas asas de seda e delicadas anteninhas de ouro, tal era o encanto da pequena.

 Foi quando senti n'alma que o germe do amor já debatia-se com força de colosso, surgindo com a impetuosidade da pororoca nos cabeços do rio Nhundiaquara em Morretes, há o amor, quem poderá contê-lo?

Naquele estado de transe e contemplação imortalizou-se em minh'alma uma máxima etérea:
    

Algumas musas
são indecifráveis
para uma só 
 geração de pecadores


e quando elas seduzem
  
 não a geração
 que as  definam



As meninas tinham a mesma rotina que a nossa, isso é claro até o reforço escolar, quando as atividades eram diferenciadas, para elas, serviços na lavanderia, cuidar de um berçário, limpeza da cozinha, decoração, artesanato, pintura em pano de prato, prendas domésticas, e muitos outros afazeres.

Jatson

Muitas crianças no educandário estavam realmente abandonadas pelos pais, uma delas era o Jatson,

Quem quebrou aquele vidro? Quem inicio aquela briga? Quem abaixou a saia da menina? Quem fez o sinalzinho com o dedo para o diretor da escola? Não sabe??? O Jatson!!!

Ele sempre gritava para aquele silêncio do gado no pasto : Calem-se !!!!
Olhavam indiferentes num eterno mascar
Assim como Clarice Lispector, Jatson cismava com " a paz que há nos olhos do boi " .

 Por isso o Jatson levou muitos “cascudos” do tio Araújo, uma especialidade dele. As vezes era tão mutante o estado de espírito do Jatson, como o era, as condições do tempo em Curitiba , a ponto de reboar pelo Educandário a “gargalhada do Jatson”, que se misturava no mesmo dia, com seu choro abafado, sufocado, soluçante, relembrando aos tios e tias, que ele era só mais uma criança, um órfão inofensivo.

Mas teve um dia que mudou a vida do Jatson. Um daqueles dias de inverno de céu cinza-chumbo, outra peculiaridade do inverno Curitibano, uma garoa fina, quase imperceptível, tipo serragem miúda, como que salpicada pelas mãos de Deus, e muito, muito frio, neste dia como acontecia periodicamente, casais de gringos, vieram visitar alguns órfãos para adoção.

Quem foi o escolhido desta vez?

Ele mesmo, O Jatson. Burocracias resolvidas, lá se foi o Jatson, com sua gargalhada memorável, com seu choro contagiante, penetrante, com sua genialidade e iniciativa para traquinagens de dar inveja. Ele foi, e levou um pedaço de nós, do nosso coração, das nossas vidas, levou um pouquinho das lágrimas de cada um de nós, até o Tio Araújo, chorou! Ficamos estupefatos! Por muitos dias, houve um silencio melancólico por entre aqueles seculares eucaliptos, saudosistas de suas gargalhadas, aliás, só ele conseguia transmontá-los com singular habilidade .

 Sem duvidas ele levou um pouco de nós, porque o Jatson de certo modo sintetizava, simbolizava a realidade , a vida e a história de muitos garotos do Educandário Curitiba que infelizmente, tiveram um destino bem diferente do dele!

A volta de Jatson

E pasmem todos, um dia ele voltou!

 Cinco anos depois. Ganhou uma viagem de presente dos novos pais, e escolheu voltar ao Brasil.  Ninguém o reconheceu. Também pudera! Mais alto, altaneiro, mais belo, belíssimo, metido num sobretudo vermelho, longo, num impecável e charmoso cachecol, o cabelo bem penteadinho, o dele que era uma moçoroca, o sapato preto lustradinho, o dele que vivia num barro só.

Todos nós borboleteávamos em volta do Jatson. E ele imóvel, soberano, o olhar indiferente dardejando o horizonte. Quando cheguei perto dele, mudo e petrificado, medindo cada poro, ao lado de Lindsay, com extrema dificuldade, lhe perguntei:

É Você Jatson???

Longo silêncio, suspense, medo e duvida.

Ele virou pra mim, com o rosto marchetado de pontos de interrogação, perguntou-me:

- Parlez- vous français???










Mais de trinta anos depois
  encontro esse convite nas redes sociais:

   












" Se você acha caro a educação,
o que dizer da ignorância?
É uma fortuna!! "



   Mais investimentos pesados em educação,
reduziriam significativamente a "fortuna" 
gasta com o que a falta dela proporciona 



O estudo, a leitura, a educação, a fé em um Deus amoroso ,
 desencadeiam profundas transformações














11 comentários:

nylantunes disse...

Oi Davi,acho q não te conheço,pois não lembro de vc.Mas eu morei no Educandário Curitiba em 1984,eu Orlando,Roberto e soeli,acho q vc não vai lembrar.Mas saiba q eu gostaria de fazer amizade com vc e falar sobre alguns tios q eu tenho contato.Tia Vera,Tia Ilza,Tia Fátima,Tia Zulmira,Tia Branca,Tia Judite,tia Helena e não lembto mais.
Já imaginou vc reencontrar estas pessoas depois de tanto tempo?

cleide disse...

Oi Davi ,Parabens pela sua criatividade de fazer uma poesia de sua vida, achei muito bonito quem me dera poder escrever umas sò palavra sobre meus dias la no educandario geralmente nao me lembro nem o que comi ontem imagina o que aconteceu a muitos anos rsrsrsrsrsr. Parabens pelas suas poesias.

Anônimo disse...

Ola Davi! Excelente! Nunca pensei que veria o Educandario retratado assim... Voce foi otimo! Não te conheço mas quero parabeniza-lo. As suas palavras me causaram estranhos sentimentos adormecidos. Vivi neste colégio entre 1975 e 1980. Se puder mande-me fotos do Educandario. Estou em Ariquemes/ RO. quero rever amigos. alf_brandt_7@hotmail.com valeu!

JONATA disse...

fico muito feliz em saber que depois de anos fui lembrado e que semei muitos frutOS. MUITO OBRIGADO David.
Tio Araujo

Silange Maria Borrini disse...

nylantunes, eu ainda tenho contato com a tia Iuza.... eu morei no Educandario Curitiba em 1984 atè 1986, com meu irmao Jean Pierre e minha irma Keli....

Davi, adorei o que vc escreveu.... Desculpe meu portuguès, mas sabe como è...tmb fui extragada pelos gringos...kkkk Mas amo meua pais!!!!

Anônimo disse...

Olá david, sou eu,o josemar novamente, mantive contaro com vc a uns quatro anos morei no educandário entre 81 e 83 lembro de tudo oque vc narrou na poesia tenho muita saudades daquele tempo

Jean Pierre Jochen disse...

Ola Davi. Muito bom esse texto/poesia... me fez relembrar do tempo q passei com minhas irmas, Sil e Keli, no Educandario... parabéns. ps fui criado em sc e desde 2011 voltei a morar em ctba..

Jean Pierre Jochen disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

Depois de maionese 30 anos me deparo com meu passado, passado este que foi retratado tão bem, vivi tudo ali descrito pelo Davi ,, fui abandonado lá juntamente com mais 5 irmãos. Cheguei em 78 e lembro de ter saído com 8 anos e mandando para um outro orfanato em pirai do Sul.. Por anos tentei esquecer meu passado , mas lendo suas memórias , percebi que me falta viver este passado para dar um sentido em minha vida, tentei ir lá hj e não encontrei o educandário , tentarei ir no próximo fds tentar encontrar um pedaço de mim que por motos anos eu tentei apagar. Obrigada gado pelas lembranca .
Rai Salgueiro ( raimundinho como mtas tias me chamavam lá)

Aninha disse...

Davi chorei ao ler sua poesia retrata o dia a dia da vida que passamos no educandário curitiba, lembro de todas as tias citadas aqui em especial do tio Araújo morria de medo dele mas sempre o respeitei tia Luzia Paulina todos foram umas mães para mim fiquei muitos anos la com meus irmãos Paulo Júnior e a Jane!Gostaria de ter contato com está pessoas obrigada pela lembrança Silvana da Maia.

Anônimo disse...

Alguém conheceu a dona Joana Valduga e a tia Cecília da cozinha ou cantina ?