sábado, 12 de setembro de 2009

SOBROU PRA VOVÓ!


Oh Vó! Por clemência
nos arranque deste veloz carrossel
desgovernado, vertiginoso
com cabeças de dragões

simulando ilusões de conquistas
entre tesouros ocultados
mas vó, não nos leva a lugar algum
senão nesta seara de lágrimas
que já atravessastes altaneira.

Responda-nos vovó,
Por que será que no amor
damos uma de faquir
Quando esquecemos possuir
pés & pele
de recém-nascidos?

Oh vó! Veja isso!
Por que essas fendas em suas mãos
e esses vincos em sua tez
tornaram-se berçários sete estrelas???

Vovó,
nos de a honra de contemplar e nos deleitar
este seu flertar da janela
com o crepúsculo vespertino

entre novelos multicoloridos,
entre lânguidos felinos,
entre netos enjeitados
e ouvir o crepitar na chaleira de ferro
da erva-cidreira da resignação

Mas na conclusão de tudo isso, vovó
corremos arfantes e pressurosos
pra sua casinha centenária
entre pardais e ipês,
entre araucárias e riachos
emoldurada por baldias azaléias,
gérberas & ciclames
e suas valentes violetas

voltamos assim, angustiados e palpitantes, vovó
Só mais uma vez , eu juro!
Pra repassar aquele texto,
extraído da sua “caixinha de pandora”
entre longas pausas
e a sempre breve e meliflua advertência,
neste seu b- a - ba da sobrevivência.






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