quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

monjolo







Querer vestir-se
 com as tuas dores
querer ser balsamo  pra sua alma
orvalho revigorante
para teus exaustos sensores
 
saudade
quando a tua chuva não beija á tempos
as searas ressequidas
e o vazio das tuas mãos ausentes
a esmurrar-me já nas cordas
 impiedosamente

resta recolher resignado
espalhados pelo carpe,
sem mais o pulsante brilho,
estilhaços
 de um coração de acrílico

arde n’alma a angustia
quando não podemos reter o azul
e o crepúsculo chega vestido de lírio
pingando fogo
vazando delírius

e derramando 
laminas famintas
em vão
os olhos suplicarem
 teu colírio

abraça-me a sensação
de “contornos sem essências”
ali bem perto do
coração estilhaçado.





DAVI CARTES ALVES









Um comentário:

@ Escritora disse...

Profundo...

Gostei do seu blog, por aqui fico!

Saudações