sábado, 5 de agosto de 2017

Delirius & Devaneios






Madrugada adentro e garoa
ouço gargalhadas na sala de estar
Monalisa não segurou mais o riso
e os ventos deste outono sombrio
não uivaram tanto
pra Cathe e Heathcliff

Você na noite vestida de lua
e eu um chocalho
em suas mãos de carmim
Meu deus!
Mas que som que tem isso??

Isso em si
não esgota o assunto
porque amanhã o vento muda de lado
e quem irá recolher as roupas?
 Por que virar a cara na hora do beijo?

Há quanto tempo
teu gato não mia?
O de Poe jamais me sorria
"achando que os pardais,
 indiferentes
se esqueceram de voar"

Com que lágrimas
tuas mãos perfumadas
e cheias de anéis
apanharam aquelas
 botas tão sujas

Pobre cobrador
do ônibus Itupava - Cohab
apaixonou-se pela bailarina
do Ballet Quebra - Nozes

ela tinha leveza e o perfume
de um feixe de tulipas frescas 
e eram mui lindos
seus sissones e piruetas
côr de brilho labial

Já notou
que tem sempre uma hora no dia,
em que o rio Nieva de Dostoyevski
o Ouse de Virginia Wolf
o Arno de Mario Puzo

o Tweed de Walter Scot
o Íster de Sófocles
o Amper de Markus Zusak
o Guaíba de Assis Brasil
e o Belém
de Dalton Trevisan,

" tem a cor dos afogados" ???





   DAVI CARTES ALVES









Nenhum comentário: